Brasília - Aliados da presidente Dilma Rousseff começaram a recolher ontem assinaturas de integrantes de partidos governistas para criar uma nova CPI mista da Petrobras, com deputados e senadores, mais ampla do que a apresentada esta tarde pela oposição. A estratégia é a mesma utilizada pelo governo no Senado, que acabou por dificultar a criação da CPI na Casa. Líder do governo na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) iniciou a coleta das assinaturas na tarde de terça-feira, mas ainda não divulgou quantas adesões o texto já teve. No Senado, o líder do PT, Humberto Costa (PE), também deu início à coleta.
Além das investigações contra a Petrobras, o governo quer que a comissão analise as denúncias de corrupção envolvendo a formação de cartel do Metrô de São Paulo e supostas irregularidades em relação ao Porto de Suape. Os dois novos temas atingem diretamente o PSDB e o PSB. Ambos têm pré-candidatos à Presidência da República: o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE).
A oposição protocolou no início da tarde um pedido de abertura de uma CPI mista para investigar a Petrobras, principalmente em relação à compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). Na época do negócio, a presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, era também presidente do Conselho Diretor da estatal. Ela votou favoravelmente à realização da compra.
Além disso, a oposição quer investigar o suposto pagamento de propina feito por funcionários da empresa holandesa SBM Offshore à Petrobras para garantir contratos, a construção de refinarias e a operação de plataformas inacabadas.
A oposição já havia apresentado outro pedido de abertura de uma CPI exclusiva do Senado para investigar a Petrobras. O governo então, encaminhou pedido para a criação de uma comissão mais ampla, que investigasse, além da estatal, os negócios envolvendo o PSDB e o PSB. Além das quatro CPIs já propostas pelo governo e oposição, outro texto de criação de uma comissão de inquérito mista também circula na Câmara. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) recolhe desde a semana passada assinaturas para uma comissão que pode investigar exclusivamente as empresas Alston e Siemens, que participaram do cartel de trens e metrôs em São Paulo. Ele afirmou que já tem o número mínimo de assinaturas. A intenção do governo é ter opções disponíveis para retardar a instalação das CPIs propostas pela oposição. Se a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aceitar o pedido do governo de instalar uma comissão ampla, as investigações podem ser pulverizadas e minimizariam o desgaste para a presidente Dilma. A decisão será da CCJ porque o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), repassou esta tarde à comissão a decisão sobre o imbróglio. A CCJ vai analisar questionamento do PT que diz que não há "fato determinado" para a criação da CPI da Petrobras. Se a comissão aceitar o pedido, nenhuma comissão deve ser instalada. Do contrário, devem prevalecer os pedidos de CPI dos governistas, seja ela mista ou apenas do Senado.

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