Aliados querem melar relatório final
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terça-feira, 28 de março de 2006
Eugênia Lopes e Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Na véspera da apresentação do relatório final da CPI dos Correios, os aliados do Palácio do Planalto trabalharam durante todo o dia de ontem para tentar desqualificar o teor do documento. A estratégia é tentar impedir a aprovação do relatório de Osmar Serraglio (PMDB-PR) que teria decidido não ceder às pressões do Planalto e apresenta hoje um documento incisivo com mais de 100 pedidos de indiciamento de envolvidos no mensalão, incluindo os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken e citações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação era que Serraglio também pretendia pôr no relatório uma nova lista com o nome de 50 a 60 assessores de parlamentares que teriam ido à agência do Banco Rural em Brasília onde o mensalão era pago ou recebido recursos das empresas e corretoras ligadas ao valerioduto.
Na avaliação tanto dos governistas quanto da oposição, a inclusão da nova lista vai criar um grande tumulto hoje na Comissão, durante a leitura do relatório final. À exceção do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e Serraglio, ninguém tinha tido acesso aos nomes de relação envolvendo outros parlamentares. A aposta do Planalto é que o surgimento de novos nomes, sem ouvir as explicações dos envolvidos, às vésperas do fim da CPI, será um fator que ajudará o governo a inviabilizar a votação do relatório, prevista para a semana que vem. Além disso, os governistas estavam certos que a iniciativa de Serraglio de pedir o indiciamento indiscriminado dos envolvidos no mensalão acabará desacreditando o trabalho da CPI dos Correios e dando elementos para que o documento não seja sequer votado.
Preocupado com a imagem do Congresso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), saiu em campo para defender junto ao senador Delcídio Amaral o recrudescimento no conteúdo do relatório. Serraglio que, inicialmente havia cedido aos apelos para apresentar um texto light, teria voltado atrás ontem e decidido a pedir ao Ministério Público o indiciamento dos ex-ministros Gushiken e Dirceu, de estrelas do PT, como José Genoino, Sílvio Pereira e Delúbio Soares, além dos 18 parlamentares envolvidos com o mensalão.


