Os aliados do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa estão condicionando a votação do Orçamento do Paraná para 1998 à execução das emendas por eles apresentadas para o exercício desse ano. Líderes das bancadas aliadas reuniram-se na última segunda-feira com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para cobrar a liberação dos recursos. Cada parlamentar teve o direito de apresentar para 97 até R$ 1,5 milhão em emendas em projetos. A ‘‘choradeira’’ é porque a maioria das sugestões nem mesmo saiu do papel.
Gionédis comprometeu-se que em 10 dias vai apresentar um levantamento da atual capacidade financeira do Estado para dar uma resposta aos deputados que o pressionaram. Este fato acabou contribuindo para que ontem a Comissão de Orçamento prorrogasse, até a próxima quarta-feira, o prazo para a apresentação das emendas.
Mas o secretário Gionédis não dá garantias da liberação. Segundo ele, ‘‘o governo sempre cumpriu seus acordos, mas dentro da sua capacidade financeira’’. Além do mais, disse, ‘‘o Paraná não é exceção. Não estamos nadando em dinheiro’’. Ele lembra que desde agosto a ordem no governo é apertar os cintos nos gastos com custeio - uma iniciativa que resultou numa economia global de R$ 25 milhões ao mês.
‘‘Se fizermos mais cortes (o que poderia garantir emendas), sangra. Tem de haver uma dosagem. Tenho certeza que tudo será solucionado, porque o governo tem credibilidade junto aos deputados’’, aposta Gionédis. O secretário foi convocado às pressas para a reunião com os deputados, na Assembléia. A oposição foi excluída da conversa e os deputados aliados aproveitaram o momento para o desabafo.
Os deputados acusam Lerner de descumprir acordo firmado em dezembro de 96, quando foram acertadas as emendas orçamentárias de 97. O governo admite, nos bastidores, que falhou, mas foi por causa do governo federal que não repassou recursos para o Estado e também ignorou boa parte das emendas do Paraná.
Muito cuidado O líder do PPB na Assembléia Legislativa, Augustinho Zucchy, participou da reunião, mas afirma que não coloca a questão das liberações das emendas de 97 diretamente relacionada com a votação do Orçamento 98. ‘‘Essa vinculação não existe’’, garante. Ele disse ainda ontem que o secretário da Fazenda prometeu que vai cumprir as emendas dos deputados. A maioria de suas sugestões não foi colocada em prática.
Zucchy diz que o descumprimento das emendas invariavelmente provoca reações nas bases eleitorais dos representantes. ‘‘Há muito tempo os governos estaduais não cumprem as sugestões parlamentares. Mas os deputados têm de ter cuidado no encaminhamento desse assunto. Se o fizerem como promessa, certamente sofrerão desgastes’’, aconselha.
Por sua vez, o deputado Luiz Carlos Zuk (PDT), diz contar com a compreensão do Palácio Iguaçu para desengavetar suas emendas. ‘‘Estamos sendo pressionados pelos prefeitos para que o dinheiro saia, e temos que trabalhar nesse sentido’’, avalia. Ao contrário de outros aliados, Zuk conseguiu que o governo cumprisse uma parcela de sugestões encaminhadas por ele, beneficiando os municípios de Ponta Grossa e Ventania - sua base eleitoral. (L.D.)

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