Aliados querem diálogo Lerner-concessionárias
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Leandro Donatti 
Um grupo de deputados aliados ao governador Jaime Lerner (PFL) iniciou ontem à tarde, em Curitiba, um movimento político em defesa da retomada de diálogo entre o governo do Estado e as concessionárias que exploram pedágio nas rodovias do Anel de Integração. Os deputados querem que governo e concessionárias dupliquem os trechos que ligam Ponta Grossa a Apucarana; Foz do Iguaçu a Cascavel; e Maringá a Campo Mourão, tidos como eixos de estrangulamento e de escoamento da safra.
Queremos que o assunto saia da esfera judicial e passe a ser analisado politicamente, defendeu Divanir Braz Palma (PPB), deputado eleito pela região de Maringá. Segundo ele, uma das soluções para o impasse gerado poderia ser o aumento em 30% mais ou menos das tarifas. O tema precisa voltar à pauta. O que estão fazendo hoje é uma operação tapa-buraco, como faziam antigamente, comparou. Braz Palma garante que o movimento de deputados não é isolado e que conta com a adesão também de Durval Amaral (PFL) e de Tiago Amorin Novaes (PPB).
Amaral anunciou ontem que os deputados tentam nessa semana um contato com o Palácio Iguaçu. Na opinião do deputado, a sociedade absorve um aumento de tarifa desde que haja a duplicação dos trechos imediatamente. Ele não arrisca nenhum índice de correção. Disse que tudo depende de um cálculo a ser fechado entre o governo e concessionárias. Temos de duplicar esses três trechos, fundamentais, sob o risco do governo ficar insustentável, sob o ponto de vista político, reforçou ele.
O discurso do movimento de deputados concentra-se na tese de que é melhor recuar e rever a briga judicial assumida pelo governo com as concessionárias. O governo só tem a perder. Os pontos de estrangulamento não estão em funcionamento, o que pode comprometer o escoamento da safra. A desvalorização do Real também trouxe dificuldades às concessionárias que devem recorrer à Justiça para compensar as perdas registradas nos financiamentos feitos em dólar, ponderou Durval Amaral.
Os deputados dizem que não foram procurados pelas concessionárias para desencadear a campanha. Estamos preocupados com a qualidade das rodovias, justificou Divanir Braz Palma. A Folha entrou em contato com o governo e com a regional da Associação Brasileira das Concessionárias para saber qual é a disponibilidade em negociar. Tanto o governo como as empresas manifestaram interesse em conversar, apesar de os argumentos das duas partes entrarem em choque.
O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que Heinz Herwig, dos Transportes, discute a possibilidade de retomada das obras, mas sem aumentar as tarifas. Elas foram reduzidas em 50%, em média, em julho do ano passado, durante o período eleitoral. Washington Lemos Filho, da associação das concessionárias, alegou ontem que obras de vulto como os três trechos citados pelos deputados exigem aumento da tarifa. Temos de montar uma equação, para daí discutirmos com mais profundidade o assunto, assinalou Lemos Filho.


