Arquivo FolhaHora HÉlcio Álvares: ‘‘O governo soube reagir na hora certa com medidas fortes e que passaram tranquilidade para o mercado’’Os líderes aliados do governo querem aproveitar o período de convocação extraordinário da Congresso para demonstrar que o País passa por um momento de estabilidade econômica e política. Com a sucessão de crises no Sudeste Asiático, os políticos governistas avaliam que é importante apresentar uma clara sinalização para o mercado internacional de que a economia do Brasil não será afetada pelos problemas externos.
Na pauta de votações, três projetos são considerados fundamentais pelo governo para tranquilizar os investidores internacionais. As reformas administrativa e previdenciária serviriam para apresentar a remodelação da máquina do Estado. A votação do contrato temporário de trabalho tem como objetivo diminuir o número de encargos das empresas e indústrias e reduzir o número de desemprego. O governo avalia que seu maior problema está justamente na geração de empregos.
O líder do governo na Câmara, deputado Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), acredita que a estabilidade da economia brasileira não está sob ameaça de um novo ataque especulativo ao real nas próximas semanas. ‘‘O Brasil adotou medidas corretas no momento certo’’, avaliou o deputado, que pretende acompanhar hoje a instalação, na Câmara, da comissão especial que analisará a emenda da reforma previdenciária. ‘‘Se aprovarmos as reformas, teremos mudanças estruturais e esperamos que haja uma queda nas taxas de juros’’, disse Luis Eduardo.
Para o senador Élcio Alvares (PFL-ES), líder do governo no Senado, o pior momento aconteceu quando o governo foi obrigado a preparar um pacote fiscal como forma de reação ao ataque especulativo contra o real. No final de outubro, as bolsas de valores asiáticas sofreram quedas violentas e a economia em todo o mundo acabou sendo influenciada negativamente por essa crise. No dia 10 de novembro, o governo anunciou os 51 pontos do pacote fiscal como maneira de cortar gastos, promover ajustes e acalmar o mercado. ‘‘O governo soube reagir na hora certa com medidas fortes e que passaram tranquilidade para o mercado’’, conta Alvares.
Para o senador, o momento agora requer atenção do governo e, por isso, algumas votações passam a ter mais importância. ‘‘É claro que a aprovação das reformas será uma demonstração muito precisa para o mercado de que o Brasil segue seu rumo e que não abrirá mão da estabilidade econômica’’, avaliou.
Nesse sentido, o governo deverá ter essa semana duas vitórias importantes e que servirão como sinalização. Hoje, no plenário do Senado, será votado o projeto que cria o contrato temporário de trabalho. Apesar de a proposta ser polêmica, o governo tem maioria no Senado e deve aprovar o projeto. ‘‘Essas propostas servem apenas para prejudicar cada vez mais o trabalhador’’, diz o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), líder do bloco de oposição. ‘‘Para gerar empregos, o governo deveria aumentar seus investimentos e desenvolver a economia, em vez de cortar direitos de trabalhadores’’, avalia.
O senador Élcio Alvares conta ainda com a aprovação do relatório da reforma administrativa esta semana dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relatório apresentado pelo senador Romero Jucá (PFL-RR) será votado no máximo até quinta-feira e o governo possui ampla maioria. ‘‘No Senado, só nos resta fazer barulho contra a votação dessa proposta’’, lamenta Dutra. O governo, ao contrário, comemora essa vantagem. ‘‘O País precisa das reformas e com sua votação demonstraremos que a economia está sob perfeito controle’’, calcula Álvares.

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