Aliados querem 60 dos 81 votos na votação do mínimo no Senado
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Rosa Costa, Eduardo Bresciani e Andrea Jubé Vianna <br> Agência Estado 
Brasília - A base aliada no Senado quer mostrar na votação do salário mínimo de R$ 545 que é ainda mais ''governista'' do que a bancada da Câmara na sustentação das propostas de interesse do Planalto.
Os líderes aliados trabalham para garantir cerca de 60 dos 81 votos na sessão da próxima quarta-feira. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), deverá ser o relator.
É certo que em pelo menos cinco partidos da base da presidente Dilma Rousseff - PTB, PR, PDT, PSB e PCdoB - além do PMN, PRB e PSC, de um único senador - não haverá dissidência no apoio à proposta do Executivo.
Nos maiores partidos aliado - PMDB, PT e PP - as dissidências são estimadas ontem em apenas 3 peemedebistas e 2 votos dos senadores gaúchos, Paulo Paim (PT) e Ana Amélia Lemos (PP). Em contabilidade conservadora, os líderes estimam um piso de 58 senadores favoráveis ao projeto do Planalto.
A derrota do mínimo nos valores de R$ 560, defendida pelos sindicalistas, e de R$ 600, de iniciativa do PSDB, é dada como certa. ''Não podemos iludir a opinião pública de que vamos vencer'', afirma o senador Itamar Franco (PPS-MG).
''Todos nós já sabemos que aqui (Senado) vai se votar o que o governo mandar.'' Mas o tom dos discursos deverá incomodar mais o Planalto, por partir de parlamentares de maior peso político. ''Na campanha eleitoral, tinham pleno conhecimento do mínimo de R$ 600 e não falaram nada, por falta de argumentos ou de coragem'', provoca o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Mesmo com favoritismo, os líderes governistas agem com cautela, a ponto de vetar audiências públicas sobre o salário, como ocorreu na Câmara. Romero Jucá alega que os senadores ''conhecem a proposta e estão em condição de votar''.
É esperada na votação da proposta a apresentação de pelo menos três emendas: duas delas elevando o valor para R$ 560 e R$ 600, e a outra retirar do texto o artigo que permite a fixação dos valores do mínimo por decreto até 2015.
O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), entregou ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, uma emenda isentando a cesta básica da incidência do ICMS. Justifica dizendo que isso manteria o poder de compra dos trabalhadores. Palocci ficou de levar a proposta à equipe econômica, que deve transferir a decisão ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o que inviabiliza seu exame na quarta-feira.
Jucá acredita que texto aprovado pelos deputados será mantido na íntegra. Na terça-feira, um representante da área econômica apresentará a partidos da base números e projeções para justificar o mínimo de R$ 545. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), quer submeter o texto à comissão na manhã de quarta-feira, mas o governo trabalha para levar o texto direto para o plenário.
A alegação dos opositores ao mínimo proposto pelo governo vai desde o aumento da arrecadação no País, o que, segundo o PSDB - cobriria com sobra um reajuste maior - a compromisso com as centrais sindicais. Os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Ana Amélia Lemos lembram que apoiaram o candidato tucano José Serra na campanha eleitoral e que há motivos para recuarem no apoio ao mínimo de R$ 600. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) chama a proposta do Planalto de ''conservadora'' e ''equivocada'', inferior ao valor de R$ 765 adotado no seu governo.


