Aliados prevêem absolvição de Renan do processo de cassação
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terça-feira, 04 de dezembro de 2007
Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília - Pela segunda vez em dois meses e meio, o pedido de cassação do mandato do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra de decoro parlamentar, será votado no plenário. Na sessão, com início hoje às 15 horas, os senadores vão opinar se concordam ou não com o parecer do relator do Conselho de Ética, senador Jefferson Péres (PDT-AM), que apresentou sete indícios sobre o seu envolvimento na compra, em nome de laranjas, de duas emissoras de rádio e um jornal diário, em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra. É a terceira das seis representações apresentadas contra ele. Duas delas foram arquivadas. As demais ainda não foram examinadas.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP) acredita que a última denúncia contra o peemedebista - de que teria utilizado um agente da Polícia do Senado para investigar o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), adversário de Renan, pode estimular votos contra ele. Mas não a ponto de resultar na sua cassação, ''porque diminuiu a pressão que havia antes dele se afastar da presidência''.
Já os senadores ligados a Renan prevêem que ele será inocentado por 46 votos, 40 dos colegas que votaram a ser favor em setembro, na denúncia de que teria contas pessoas pagas pela empreiteira Mendes Júnior, mais os dos 6 senadores que se abstiveram. Desta lista de abstenção, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), foi o único que anunciou a decisão de apoiar a cassação de Renan. Ele alega que o parecer de Péres é ''consistente''. Já a maioria da bancada dos petistas, deve repetir o voto a favor de Renan, que também terá votos da oposição.
A renúncia de Calheiros da presidência - da qual está licenciado desde o dia 11 de outubro - voltou ontem a ser dada como certa por parlamentares do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). O mesmo procedimento foi adotado nas vésperas do seu primeiro julgamento. Desta vez, eles afirmam que o afastamento seria formalizado hoje de manhã, como forma de reforçar o quórum da absolvição.
Assessores de Renan descartam a idéia, alegando que a iniciativa prejudicaria a ele próprio, além de contrariar o pedido do Palácio do Planalto para que ele não faça nada que possa deslanchar o processo de sucessão na presidência e com isso atrapalhar a votação da CPMF.
Outro argumento é o de que, no longo discurso que fará para se defender, Renan não fala em renunciar já ao cargo. Avalizado pelo seu advogado José Fragoso, o pronunciamento terá um tom conciliador. As agressões e críticas serão dirigidas ao usineiro João Lyra, que denunciou a sociedade em nome de testas-de-ferro.
O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), chamou de ''doloroso'' o processo contra Renan. ''Foi doloroso para a Casa, para ele próprio e seus amigos'', alega.


