Brasília - Ministros do PT e articuladores políticos do governo estão aconselhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a apressar a reforma ministerial e fazer as mudanças na equipe nesta semana. A avaliação geral é de que o presidente precisa agir rápido se quiser salvar os entendimentos já feitos com os aliados e driblar as pressões de toda ordem, que se multiplicaram depois do mau desempenho do próprio governo na sucessão da Câmara.
Não bastasse a desagregação da base governista no Congresso ter atingido seu ponto mais alto com a derrota do PT e do governo na briga pelo comando da Câmara, a situação do Palácio do Planalto complicou-se ainda mais na sexta-feira, com as exigências do PP. O presidente nacional do partido, deputado Pedro Corrêa (PE), não só descartou o convite de Lula ao ex-líder pepista Pedro Henri para ser um de seus ministros como deixou claro que um ministério é pouco para um partido que tem 52 deputados e a presidência da Câmara.
Os acertos com o PMDB também sofreram revezes. O ministro da Previdência Social, Amir Lando (PMDB-RO), a quem Lula tranquilizara no início do ano, recomendando que trabalhasse sem dar ouvidos aos boatos de sua saída do Ministério e às intrigas políticas, é outro que não deve ficar no cargo, independentemente da vontade presidencial.
Segundo um senador peemedebista, o ministro ''caiu em desgraça'' na bancada depois de ter se refugiado no Exterior durante a crise política mais aguda do partido, causada pelo bombardeio da ala rebelde e do grupo ligado ao ex-governador fluminense Anthony Garotinho, apontado como inimigo número 1 do Planalto. Lando só voltou a Brasília na segunda-feira, dia de eleição no Congresso, depois de duas semanas em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial em busca de cooperação técnica para modernizar a Previdência. Resultado: o mais cotado para substituí-lo é o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Fora da presidência e da Mesa Diretora da Câmara, os expoentes do PT digladiam-se por mais espaço de poder no Legislativo e no Planalto. E aumentou muito a pressão de setores do partido por mais espaço na articulação política, com o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) no ministério.
Ainda assim, petistas do Planalto e do Congresso apostam que a reforma ministerial virá no mesmo ''pacote'' das mudanças na articulação política esta semana. Segundo um ministro próximo a Lula, no entanto, o presidente não deu qualquer sinal de que vá substituir o ministro Aldo Rebelo (PC do B) na Coordenação Política.
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR) defende a tese de que o PT não deve procurar no Executivo compensações para sua derrota na Câmara. ''O problema é que preparamos uma seleção que levou de 7 a 0. Será que o presidente vai escalar esse mesmo time na semana que vem?'', indaga o petista, certo de que a reforma ministerial deverá incluir o time de articuladores do governo no Congresso.

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