Confiantes na vitória, os líderes aliados ao governo na Câmara iniciam hoje a ofensiva final pela aprovação em primeiro turno, até quarta-feira, da emenda constitucional da reeleição. Eles checariam os últimos números na noite de ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso, durante reunião no Palácio da Alvorada, e apostavam na conquista de até 30 votos a mais do que os 308 necessários à aprovação da proposta.
‘‘Vamos votar a emenda com uma margem de segurança de aproximadamente 10%’’, anunciou ontem o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), antes de participar do encontro no Alvorada. ‘‘Teremos sucesso na votação porque conseguimos recompor a nossa maioria política’’, disse.
A recomposição identificada por Aníbal vem sendo admitida, nos últimos dias, até por lideranças do PMDB, partido que andou às turras com o governo depois de sua convenção nacional realizada há duas semanas. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tem dito a amigos que a emenda da reeleição deverá ser aprovada porque as principais arestas no relacionamento do governo com o seu partido já teriam sido aparadas.
O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), duvida da reaproximação. Um dos maiores opositores da proposta de reeleição, ele disse ontem que acredita na retirada de plenário da maioria da bancada de seu partido, no momento em que for anunciada a votação. Tudo em nome do respeito à decisão da convenção de condicionar a votação da reeleição à prévia eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado.

Paes quer atrair
Itamar para reforçar
campanha contra
a reeleição


‘‘A maioria não comparecerá ao plenário’’, previu Paes, que oferecerá um café da manhã na terça-feira aos líderes dos partidos de esquerda para traçar uma estratégia comum de atuação durante a votação. Além dos líderes da oposição, o presidente do PMDB pretende buscar no ex-presidente Itamar Franco um reforço na luta contra a reeleição. Os dois têm encontro marcado para amanhã no Rio de Janeiro, onde participam de uma sessão de homenagem ao jornalista Barbosa Lima Sobrinho na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Mesmo com a oposição de Paes, os líderes aliados ao governo esperam contar com 60 a 70 votos da bancada do PMDB a favor da emenda da reeleição. Para consolidar os votos do partido, o comando governista conta com o empenho do líder da bancada, Michel Temer (SP), que precisa mostrar serviço aos demais partidos aliados para contar com o seu apoio na disputa pela presidência da Câmara, no início de fevereiro.
A emenda da reeleição entra terça-feira em discussão no plenário da Câmara. O debate vai durar até o momento em que os líderes aliados avaliem que já existe a possibilidade de colocar a matéria em votação. Nesse momento, será apresentado um requerimento de encerramento da discussão, que servirá também como teste de quórum. ‘‘Caso tenhamos presença forte, vamos votar a emenda já na terça-feira’’, informou Aníbal.
Para garantir a presença em massa dos deputados no plenário, os governistas estão montando uma verdadeira operação de guerra. Diante da possibilidade de que alguns deputados possam adoecer ou se sentir impossibilitados de se deslocar de seus Estados, prevê-se a requisição de aviões particulares.
Entre os escolhidos para fornecer a ajuda no transporte
dos parlamentares favoráveis à reeleição estão o vice-líder do governo Sandro Mabel (PMDB-GO), e o deputado José Lourenço (PPB-BA), ambos donos da empresa King Air. Para o deputado Benito Gama (PFL-BA), porém, isto não será necessário em função da importância que a votação terá para cada parlamentar. ‘‘A reeleição é o primeiro grande acontecimento político desde a Constituinte’’, disse ele.

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