Aliados opõem-se ao empréstimo salarial dos servidores inativos
Políticos aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso reagiram ontem com cautela a um eventual empréstimo compulsório dos vencimentos de servidores públicos inativos, com idade inferior a 52 anos, um dos instrumentos do ajuste fiscal em estudo pela equipe econômica do governo. Eles questionaram a legalidade da medida - que restringiria a R$ 5 mil o pagamento de pensões e aposentadorias - e previram dificuldades para a aprovação pelo Congresso.
Não é ilegítimo o governo federal pleitear isso, mas não será fácil aprovar, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Se for confirmado, é provável que se encontre muita resistência no Congresso, acrescentou. Para ele, o ajuste fiscal engendrado pelo governo deverá se basear, preferencialmente, no corte de despesas, o que justificaria uma medida como essa. Eu acho que o presidente Fernando Henrique vai evitar aumentar os tributos.
Um importante dirigente tucano foi mais incisivo. Isso é constitucional?, reagiu, ao ser informado da medida em estudo. É preciso fazer um ajuste dentro da lei; não se pode abalar a credibilidade das medidas, acrescentou. Para este deputado, o governo tem maioria para aprovar o pacote de ajuste, mas estaria se expondo a uma derrota ao propor medidas deste tipo. Nós não podemos dar tiros nágua; o ajuste tem de vir e vai doer para todo mundo, frisou. Mas não se pode infrigir uma dor inútil, recomendou, referindo-se a propostas que possam ser questionadas e derrubadas por meio da Justiça.
O líder do governo no Senado, Élcio Álvares (PFL-ES), foi cauteloso ao avaliar o dispositivo, mas também questionou a constitucionalidade. Não sei até onde pode ir a legitimidade de reduzir a pensão e direitos adquiridos, afirmou. Isso vai gerar muita discussão. O aliado do presidente, entretanto, admitiu que um dos grandes problemas a ser enfrentado é o déficit da Previdência Social, que precisa ser reduzido.
De acordo com Álvares, ainda é cedo para uma avaliação da disposição do Congresso em aprovar o ajuste, uma vez que, até agora, se tem visto muita especulação. O senador pefelista, contudo, aguarda por medidas duras. O governo, dada a gravidade da crise, vai tomar medidas que serão amargas, adiantou. Se vierem medidas amargas, teremos de enfrentá-las, já que o que está em jogo é o País.
Já para o líder do PT na Câmara, Marcelo Déda (SE), a redução dos vencimentos dos inativos - mesmo que temporária e a título de empréstimo - geraria uma batalha jurídica, com prejuízos para o próprio governo. O governo vai criar um embróglio jurídico sem tamanho, comentou. A questão dos inativos já foi muito discutida na Câmara e na Justiça, e o governo sempre perdeu. Segundo ele, é melhor esperar o pacote de ajuste fiscal para saber o que efetivamente pode ou não ser aprovado pelo Congresso. Mas uma medida como essa encontraria resistências, com certeza. É inconstitucional, afirmou o líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ). Os vencimentos do servidor público não são matéria que se possa deliberar, explicou.Arquivo FolhaTemer: Não é ilegítimo para o governo, mas não será fácil aprovarDoca de Oliveira
Agência Estado





