Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Sem acordoPaes de Andrade: ‘Não aceito interferência do governo na discussão sobre candidatura própria’A briga entre a ala governista do PMDB que quer a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e o grupo oposicionista que prega a candidatura própria ao Palácio do Planalto precipitou o debate de outro assunto polêmico: a desincompatibilização dos ministros candidatos às eleições de 98. Os aliados do PMDB e PFL já dão sinais de que não estão dispostos a desocupar os ministérios que comandam em dezembro, como pedira o presidente.
Fernando Henrique pretende afastar os candidatos do governo em dezembro, à exceção do ministro do Planejamento, Antônio Kandir (PSDB), que será mantido no posto até o fim do prazo legal, em abril, para dar prosseguimento ao Programa Brasil em Ação. Os aliados, porém, consideraram o pedido de Fernando Henrique apenas uma forma de apressar a definição do PMDB sobre a candidatura própria à Presidência da República e não aceitam a excepcionalidade conferida a Kandir.
A cúpula governista do PMDB aposta que o partido vai apoiar a reeleição e que, com isto, manterá intactos seus três ministros (Justiça, Transportes e Políticas Regionais). ‘‘A preocupação do presidente é a de não arrastar a permanência de adversários no governo’’, resume um ministro de Estado. ‘‘Essa história de o Kandir ficar e os ministros do PFL saírem eu acho errado’’, criticou o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE). ‘‘Seria o mesmo que criar ministros de primeira e de segunda classe.’’
Os aliados não vêem razão para que políticos que estão fora da disputa eleitoral sejam afastados do governo, casos dos ministros da Justiça, Íris Rezende (PMDB), e da Agricultura, Arlindo Porto (PTB), ambos senadores com mandato até 2002. Os candidatos - Eliseu Padilha (PMDB), dos Transportes; Gustavo Krause (PFL), do Meio Ambiente; Reinhold Stephanes (PFL), da Previdência Social, e Francisco Dornelles (PPB), da Indústria e Comércio - poderiam combinar a data da saída com o presidente.
‘‘Mas tudo num pacote só’’, prega o presidente do PFL. Ele inclui aí o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, que trocou o PMDB pelo PFL há 15 dias, mas Fernando Henrique decidiu mantê-lo no cargo até o fim do ano, quando sua pasta deverá ser extinta. ‘‘Já que o Luiz Carlos ficou, que saia junto com os demais, na data combinada’’, sugere o deputado José Jorge.
Defensor incansável da candidatura própria do PMDB ao Planalto, o presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE), quer que os ministros peemedebistas abandonem seus postos antes mesmo da definição do partido. Paes diz aceitar o resultado da convenção, para evitar o racha, mas não admite ‘‘interferência do governo’’ na votação sobre a candidatura própria.
‘‘Isso é um absurdo’’, reagiu, irritado, um cardeal da ala governista. O ministro Eliseu Padilha apresentou uma contraproposta: que o conselho político decida sobre a conveniência do voto dos ministros. ‘‘Eu acato a decisão do conselho e da convenção’’, antecipou o ministro para salientar: ‘‘O dissidente do partido é o presidente Paes de Andrade porque o que está vigor hoje é a decisão do conselho de apoiar o governo.’’ Segundo o ministro, o cidadão e o deputado poderiam até discordar da decisão, mas não o presidente do partido.
Surpreendido por uma centena de assinaturas em favor da convocação do conselho político, onde os governistas têm maioria, Paes de Andrade acusou o golpe. ‘‘Fizeram tudo sem me avisar, à revelia do presidente’’, registrou. Paes admitiu que foi voto vencido na reunião do conselho que definiu a parceria com o governo, mas salientou que seu partido jamais prometera o apoio incondicional ao governo. ‘‘Votei com minha consciência em questões como a quebra do monopólio do petróleo, mas se o PMDB tivesse fechado questão, teria votado com o partido’’, garantiu Paes.

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