Mais uma vez os deputados da base de sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa deixam uma reunião com o primeiro escalão do governo apenas com promessas. Os líderes dos partidos aliados se reuniram anteontem com o secretário da Fazenda e presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ingo Hubert. O resultado da reunião teve reflexos no plenário. Ontem, menos da metade dos 30 aliados foram à sessão. O governo precisava da presença dos aliados, porque quatro mensagens todas em regime de urgência estavam na pauta.
Os deputados foram cobrar do secretário o cumprimento de emendas ao orçamento deste ano e o repasse imediato de recursos para obras em seus redutos eleitorais. O secretário repetiu o discurso de que os compromissos firmados em relação a obras serão cumpridos. O secretário fez um relato na situação financeira do Estado que, segundo ele, está muito melhor que no ano passado. Dados da Fazenda mostram que, em dezembro de 2000, o Estado devia R$ 350 milhões aos municípios, empreiteiros e fornecedores. A expectativa é zerar a dívida até 31 de dezembro deste ano, ou fechar o ano com uma dívida de, no máximo, R$ 5 milhões.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), avaliou que a reunião foi ''boa''. O pefelista espera que os aliados voltem ao plenário na segunda-feira, viabilizando as votações.
A bancada de oposição provoca os governistas, e tem dito que eles passam ''cheques em branco'' ao dar votos de confiança ao governo. Os aliados reclamam que prometem melhorias aos prefeitos que representam e depois não podem honrar os compromissos, por falta de dinheiro.
No início da sessão de ontem, apenas três aliados estavam presentes. A oposição garantiu a maior parte do quórum para votações (o mínimo é 28 parlamentares). A sessão caiu, por falta de quórum, no item 17 da pauta, que era a mensagem que transforma os delegados ''calça-curta'' em agentes administrativos (eles perdem a função de delegados). Apenas 21 dos 54 deputados estavam no plenário.
O presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), declarou que o governo não pode prometer e deixar de cumprir. ''Negociações fazem parte do dia-a-dia da política. Mas se prometeu, tem que cumprir. Senão, os deputados avisam os prefeitos que há recursos e eles ficam lá esperando''.

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