A emenda da reeleição só deverá ser votada no dia 29, apesar de o presidente Fernando Henrique Cardoso e os líderes dos partidos que dão sustentação política ao governo terem marcado para a semana que vem o primeiro confronto em plenário. Governo e aliados estão à cata de novos votos favoráveis à reeleição. Também buscam arrancar das oposições a bandeira do referendo popular. Se a situação estiver ruim e houver dúvidas quanto à aprovação da emenda, os líderes dos partidos aliados vão dar a preferência para a votação da emenda do deputado José Genoíno (PT-SP), que submete ao referendo popular a reeleição do presidente Fernando Henrique, dos governadores e dos prefeitos.
Com isto, os defensores da reeleição acreditam que tiram resistências do PPB, do PDT e do PSB e põem o PT diante de uma arapuca, pois até agora é o partido que mais defendeu o referendo, a ponto de o autor da emenda ser o deputado José Genoíno. O PT tem 51 votos e os líderes dos partidos que apóiam o governo e a reeleição não confiam muito na adesão dos petistas ao referendo. Mas a rejeição a uma emenda cujo autor é petista retiraria muita força política do PT, hoje o líder das oposições. E os votos adquiridos no PPB e no PSB seriam suficientes para a aprovação da reeleição.
De acordo com um ministro que ajuda a conferir os votos a favor da reeleição, todos os dias, o presidente Fernando Henrique Cardoso já tem indicativos de uma pesquisa que lhe dão confiança no resultado do referendo. A idéia, segundo o ministro, é fixar em 60 dias da promulgação da emenda o prazo para a consulta popular. Os governistas acham que nem é preciso esperar a aprovação do projeto de lei que regulamenta o referendo, o plebiscito e a consulta popular, que tramita na Câmara. A emenda constitucional, por si, teria força suficiente para a convocação.

Paulo Maluf está
preocupado com
virada de votos
pró FHC

O ex-prefeito Paulo Maluf ligou ontem três vezes para o líder do PPB, Odelmo Leão (MG). Ele estava preocupado com a virada de votos que vem sendo promovida pelo governo entre os parlamentares que antes eram contrários à reeleição. De acordo com os números dos políticos ligados a Maluf, o partido já registra com certeza 43 votos na reeleição. Os opositores seriam 44. Com o referendo, o ministro que ajuda na contabilidade dos votos acredita que o PPB daria 50 votos na emenda que permite reeleger Fernando Henrique Cardoso.
As contas do governo apontam para estes números favoráveis hoje: PMDB, 70 votos; PFL, 95; PSDB, 80; PPB, 43; PTB, 10; PSB, 1; PV, 1; PPS, 1; PL, 1. Total: 302, 6 a menos do que os 308 necessários para a aprovação da emenda. Com o referendo, os votos do PSB subiriam para no mínimo 4; o PDT daria mais alguns (calcula-se que passarão de 10, porque o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) defende a medida entre parlamentares aos quais é ligado), além de mais 7 votos no PPB. Neste caso, a reeleição seria aprovada por no mínimo 313 votos, independente de adesões no PT, no PDT - onde as terá - e no PC do B.

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