Para não repetir o erro de subdimensionar a crise, os próprios governistas já estão discutindo o cenário com a comissão parlamentar de inquérito (CPI) da corrupção instalada no Congresso. Um deles salienta que ACM está ‘‘botando muita pilha’’ no inquérito, mas não está considerando que seu destino pode acabar nas mãos de um peemedebista. Como partido majoritário no Senado, o PMDB pode ficar com a relatoria da CPI da corrupção, caso ela chegue a ser instalada. Nesta hipótese, o presidente seria do PSDB, que detém a maior bancada na Câmara.
Até o sereno líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), revelou seu temor de que a CPI ganhe o impulso das ruas. ‘‘Hoje, a opinião pública não troca a governabilidade pela CPI, mas se os partidos de oposição fizerem uma campanha nas capitais, a pressão sobre o Congresso pode crescer’’, avalia o líder. O que assusta os governistas é a possibilidade de o PT montar painéis nas cidades, com os nomes dos senadores que seriam ‘‘contra ou a favor’’ da corrupção, listando as assinaturas pró-CPI.
O cenário de inquérito instalado também está sendo objeto de conversas da cúpula do PSDB, em que se incluem o ministro da Saúde, José Serra, os governadores tucanos do Pará, Almir Gabriel, e do Ceará, Tasso Jereissati, além do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e até os líderes do governo, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) e Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
‘‘Aliado existe é para não ter CPI’’, diz um destes tucanos graduados. ‘‘Caso contrário – completa – vamos dar o grito de independência e tentar ganhar a guerra fora da aliança, na opinião pública.’’ Por este raciocínio, Fernando Henrique dispensaria os aliados e tocaria o governo com um ministério ‘‘puro-sangue’’, só com tucanos e nomes que representem sua escolha pessoal. ‘‘Um ensaio para compor uma chapa ortodoxa para disputar a corrida presidencial de 2002’’, acrescentou o tucano graduado.

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