Aliados impedem que Lula anuncie ministério
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 2002
João Domingos 
Brasília - Os mesmos partidos que ajudaram a eleger o novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, agora o impedem de montar o ministério. Depois de uma reunião de mais de seis horas ontem, na residência oficial do Torto, com o núcleo dirigente do PT e com o vice-presidente eleito, José Alencar, Lula concluiu que não tinha ainda condição de anunciar a equipe de auxiliares diretos.
''Oitenta por cento do ministério estão prontos'', anunciou o presidente nacional do partido, deputado reeleito José Dirceu (SP). Dirceu completou: ''O presidente Lula divulgará o ministério no momento adequado do ponto de vista político.''
Ele admitiu que a crise com os partidos aliados atrapalha a montagem do ministério. Dirceu fez um apelo para que cessem as brigas: ''A mesma aliança que garantiu a eleição de Lula terá de ter a capacidade de se unir para governar'', disse.
''Vamos consolidar a aliança do primeiro e do segundo turno no governo. Não há nada intransponível com os partidos que estão conversando com Luiz Dulci (secretário-geral do PT).''
Mas não há ainda nenhuma previsão de quando será conhecido o primeiro escalão do novo governo. São grandes as chances de o presidente eleito embarcar para os Estados Unidos, na segunda-feira de manhã, sem uma definição. ''O anúncio será feito pelo presidente eleito no momento certo'', insistiu o presidente nacional do PT.''Não há nenhuma razão para anunciarmos o ministério sem a definição da base aliada'', afirmou, referindo-se aos cargos a serem ocupados pelos partidos aliados.
Dirceu afirmou que todos os partidos que apoiarem Lula receberão um cargo no primeiro escalão. Dirceu evitou falar qualquer coisa que pudesse ser entendida como crítica aos aliados. Ele, apesar das evidências, até negou conflitos com o PSB, o PDT, o PC do B e o PL, partidos que estariam criando as dificuldades para a montagem do ministério, com exigências, recusas e queixas quanto ao comportamento do presidente do PT. ''Isso é só especulação da imprensa. Não há nada intransponível com os partidos. Estamos conversando com todos eles. Eu, o secretário Luiz Dulci, o coordenador da transição, Antônio Palocci.''


