Aliados garantem aprovação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O governo decidiu enfrentar o PMDB ao admitir a tese do PFL e do PSDB de que a emenda da reeleição pode ser colocada em votação na próxima semana. Depois de um dia tenso, marcado por intrigas e boatos, as lideranças pefelistas e tucanas reavaliaram o quadro político e procuraram o presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio da Alvorada dando a garantia de que as condições para iniciar a votação em primeiro turno da emenda são favoráveis ao governo.
Minutos depois das declarações do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), assegurando a retomada do calendário da votação na semana que vem, o próprio PMDB passou a desconfiar de algum arranjo feito pelo governo sem conhecimento da cúpula do partido. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), estranhou o comunicado. Também surpreso, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) procurou imediatamente o candidato do partido à presidência da Câmara, Michel Temer (SP): Será que conseguiram os votos e não sabemos?. Entre alguns peemedebistas pairou a suspeita de o governistas estarem blefando.
Foi também um dia de recuos. O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), integrante da ala rebelde do PMDB, depois de se reunir na quarta-feira com Fernando Henrique mudou o tom do discurso, até então anti-reeleição. Do encontro com Barbalho teria surgido a proposta de renúncia coletiva dos atuais postulantes à presidência do Senado - senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Iris Resende (PMDB-GO) - , como também do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara, numa tentativa de apaziguar os ânimos e reembaralhar o jogo sucessório. A tese morreu no nascedouro.
Enquanto isso, o senador José Sarney era recebido na quarta-feira à noite na residência oficial do vice-presidente Marco Maciel. Para não ter de rebaixar-se a um pedido de desculpas pela descompostura da terça-feira, Fernando Henrique delegou ao pefelista Maciel a tarefa de cobrir Sarney de todas as honras.


