Aliados ficam magoados e vão à retaliação
A base aliada do governador na Assembléia Legislativa ficou desgostosa com o anúncio do secretariado para o segundo mandato feito por Lerner e ontem à tarde, em plenário, mostrou que está ressentida. Os deputados governistas derrubaram a mensagem do governo que prevê a implantação de chips nos veículos emplacados no Paraná, dando sinais que a retaliação pode se estender durante o período extraordinário, no qual o governo pretende aprovar matérias polêmicas como a criação de um novo Fundo de Previdência do Estado.
A mágoa dos deputados é porque Lerner não cedeu às pressões e não nomeou Valdir Rossoni (PTB) para a Casa Civil. Rossoni foi mantido como líder do governo. Os deputados sentiram-se ainda desprestigiados pelo governador ao receberem ofertas pouco tentadoras sob o ponto de vista político-eleitoral, como foi o caso de Luiz Accorsi (PFL), Ademar Traiano (PTB) e Nelson Justus (PTB) que foram convidados na última hora para as secretarias da Justiça e Defesa do Consumidor.
A recusa dos aliados em aceitar uma pasta pouco estratégica inviabiliza os planos de Jaime Lerner que gostaria de ver Luiz Carlos Martins, o primeiro suplente de sua coligação, como deputado estadual no ano que vem. Martins foi convidado também para a Defesa do Consumidor, mas teria recusado a oferta. Se não houver uma mudança de comportamento, o governador terá mais surpresas em plenário, avisou Valdir Rossoni. O deputado expôs o descontentamento dos aliados numa reunião reservada com o governador, minutos antes do anúncio oficial de Lerner aos jornalistas.
O governador disse ontem aos jornalistas que tem o maior respeito pelos deputados. Tenho certeza que eles contiunuarão me dando apoio, considerou Lerner. Segundo ele, a revelação de um novo secretariado sempre traz euforia e também uma decisão que pode ser diferente do esperado. Fiz convites a quatro deputados, e eles declinaram, disse Lerner, dando a entender que a sua parte foi feita. Lerner bateu ainda na tecla que a vice-governadora Emília Belinati e o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), foram consultados e preferiram não indicar nomes. (L.D)





