Os partidos da base aliada (PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB) e o governo federal fecharam ontem um acordo para fixar o salário mínimo em R$ 200,00 a partir de abril de 2002, ano eleitoral. O novo valor vai significar um reajuste de 11,11% em relação ao mínimo atual, que é de R$ 180,00.

Pelo acordo, os congressistas concordam em abrir mão de R$ 1,55 bilhão das emendas de bancadas estaduais e das comissões técnicas da Câmara e do Senado e o presidente Fernando Henrique Cardoso acata, sem veto, a decisão do Legislativo.

O acordo dos partidos governistas garante os votos necessários para a aprovação do mínimo de R$ 200,00 superior aos R$ 189,00 (5% de aumento) propostos inicialmente pela equipe econômica. Mas abaixo dos R$ 220,00 defendidos pela oposição.

O governo decidiu aceitar um valor maior diante da pressão dos aliados, que queriam evitar o desgaste político de votar um salário mínimo com reajuste abaixo da inflação num ano eleitoral.

O acordo foi intermediado pelo presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG). ''Foi um sinal de maturidade da Câmara'', comemorou Aécio, após reunião com os líderes dos partidos que apóiam o governo, no gabinete de Inocêncio Oliveira (PFL-PE). ''Foi uma negociação mais fácil do que eu poderia imaginar.''

Pela manhã, Aécio havia conversado com FHC por telefone. O presidente da Câmara argumentou que os partidos aliados tinham avançado na defesa de um valor maior para o mínimo e da correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.

Segundo Aécio, era necessária uma composição com o Palácio do Planalto para evitar desgaste político para as duas partes. Com o sinal verde de FHC, Aécio procurou o relator do projeto de Orçamento para 2002, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP). Dessa reunião surgiu a fórmula para os cortes das emendas.

Serão cortados entre 40% e 50% das chamadas emendas de comissões técnicas e entre 10% e 14% das emendas de bancada, para somar o total de R$ 1,55 bilhão necessário para assegurar o aumento do mínimo.

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