Aliados e opositores recebem discurso com ceticismo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Brasília Aliados e oposicionistas no Congresso consideraram o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, sem novidades e receberam com ceticismo a proposta do presidente de criar um fundo internacional para o combate à fome e à miséria.
''O Lula é um homem cheio de boas intenções, mas temo que seja ingênuo. Parece que ele está vindo de outro planeta'', reagiu o vice-líder do PFL na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM). Já o senador Jefferson Perez (PDT-AM) antevê sérias dificuldades na criação do fundo. ''Este fundo teria de ter recursos enormes e, se por acaso for formado, o Brasil não seria beneficiado.'' Para o futuro líder do PMDB na Câmara, deputado Eunício Oliveira (CE), a idéia do fundo é muito boa e a sua criação é viável.
O presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP), apontou ''semelhanças'' entre o discurso do presidente em Davos e pronunciamentos feitos por Fernando Henrique Cardoso em fóruns internacionais.
O representante no Brasil da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Renato Baumann, considerou ''interessante'' a proposta.''O discurso do presidente Lula é interessante por chamar a atenção a um problema que existe e persiste. Mas a questão é: adotar uma política assistencialista em relação aos países mais pobres ou uma política de apoio à produção e de acesso a mercados?''
O ex-ministro das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe Lampreia, considerou ''possível'' a proposta de criação de um fundo internacional, mas acrescentou que já existem instituições e mecanismos internacionais voltados exclusivamente ou parcialmente a programas de ajuda aos países mais pobres.


