Aliados e adversários de FHC dão adeus a Ruth
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Folhapress 
São Paulo - O corpo da antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi velado ontem na Sala São Paulo, região central da capital paulista. O enterro está previsto para hoje pela manhã no cemitério da Consolação. O caixão permaneceu aberto e sobre o corpo de Ruth Cardoso foi colocada uma bandeira do Brasil e uma bandeira dobrada de Araraquara (SP), onde nasceu a ex-primeira-dama.
Ruth Cardoso morreu às 20h40 de terça-feira, em sua residência, no bairro de Higienópolis. Segundo nota médica divulgada, a ex-primeira-dama foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana. Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique, quando passou mal. FHC não estava em casa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia também estiveram no velório de Ruth Cardoso. Eles chegaram acompanhados pelos ministros Fernando Haddad (Educação), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social), Hélio Costa (Comunicações), Mucio Monteiro (Relações Institucionais), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Edson Lobão (Minas e Energia), além da senadora e ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). A passagem de Lula durou cerca de 40 minutos. Ele foi embora sem falar com a imprensa.
Políticos e amigos de FHC também passaram pelo velório. Entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), o ministro Orlando Silva (Esporte), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a petista Marta Suplicy, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além de secretários municipais e líderes partidários.
Antes de se tornar nacionalmente conhecida como mulher do então presidente, Ruth Corrêa Leite Cardoso, já tinha uma longa carreira como antropóloga dedicada a estudos de gênero e de aculturação. Contudo, ela só ganhou projeção nacional no governo FHC por implantar o programa Comunidade Solidária que, de 1995 a 2002, alfabetizou 3 milhões de jovens, capacitou outros 114 mil para o mercado de trabalho e estimulou a organização de mulheres artesãs em cooperativas de produção.
Decidida a estudar filosofia, Ruth mudou-se de Araraquara, onde nasceu em 19 de setembro de 1930, para São Paulo aos 19 anos. Na USP, conheceu FHC, um ano mais novo do que ela. Eles se formaram em 1952 e se casaram no ano seguinte. Mas, enquanto FHC se dedicava à carreira acadêmica, ela trabalhou também como assistente na área de recursos humanos da USP e cuidava dos três filhos do casal, o que fez com que sua produção científica progredisse mais lentamente que a dele.
Defendeu seu mestrado em 1970 com o ''Papel das Associações Juvenis na Aculturação dos Japoneses'', e seu doutorado em 1972, com a tese ''Estrutura Familiar e Mobilidade Social: estudo dos japoneses no Estado de São Paulo''. Fez pós-doutorado na Universidade Columbia (EUA). Seus estudos não tiveram a mesma repercussão que os de FHC, conhecido internacionalmente pela teoria da dependência, mas a levaram a lecionar nas universidades de Berkeley (EUA) e Cambridge (Inglaterra).


