Aliados do governo prontos para mudar a reforma
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quinta-feira, 31 de julho de 2003
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de um almoço de quase três horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes dos partidos aliados ao Palácio do Planalto ficaram certos de que haverá mais mudanças na reforma da Previdência. Embora o governo diga preferir que o relatório do deputado José Pimentel (PT-CE) não seja alterado, os parlamentares já se preparam para elevar o teto salarial para os juízes estaduais - o chamado subteto - será elevado, assim como o limite das pensões deixadas pelos servidores públicos. Os rumos da reforma serão rediscutidos na segunda-feira por Lula com os ministros da Previdência, Ricardo Berzoini, e da Casa Civil, José Dirceu, e o líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
''Sei como é negociação: estamos nos 15 minutos da prorrogação do jogo e na segunda-feira estaremos nos 25 minutos. Mas qualquer alteração terá de ter a assinatura de todos os líderes'', disse Lula durante o almoço, segundo o líder do PSB, Eduardo Campos (PE). No encontro, realizado na residência oficial do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente chegou a ponderar que as alterações feitas na reforma da Previdência antes da votação da proposta pela comissão especial da Câmara deveriam estar sendo promovidas agora. ''Em algum momento, a gente pode ter se precipitado'', lamentou Lula, sempre de acordo com Campos.
Redução - Antes da votação da reforma na comissão especial, o governo concordou em manter para os atuais servidores a aposentadoria integral e reajustes idênticos para os vencimentos de ativos e aposentados. Agora, os aliados defendem que o subteto dos desembargadores nos Estados fique limitado a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e não a 75%, como prevê o texto aprovado até agora.
Também querem uma regra mais suave para as pensões do serviço público. São duas as hipóteses em estudo: aumentar de R$ 1.058 para R$ 2,4 mil o teto para o pagamento integral da pensão ou manter os R$ 1.058 e a parcela acima desse valor sofrer uma redução de apenas 30%. A reforma prevê o pagamento integral das pensões até R$ 1.058, mas permite uma redução de até 70% sobre a parcela que exceder esse valor.
No almoço com o presidente, todos os líderes da base aliada falaram em unidade. Tentaram até fechar um acordo para que nenhum partido governista apresente sugestões formais de novas mudanças à reforma da Previdência. Mas o líder do PL, Valdemar Costa Neto (SP), foi logo avisando: o seu partido tem compromisso com a magistratura e, por isso, vai propor alterações, caso o governo insista em manter a vinculação dos salários dos desembargadores em 75% da remuneração do Supremo.


