Brasília - A disputa entre os partidos aliados da presidente Dilma Rousseff (PT) para manter os postos que já têm no segundo escalão ou abocanhar novos cargos visa o controle de 102 empresas estatais, sendo 84 no setor produtivo e 18 no setor financeiro. Destas, 66 do setor produtivo e sete do setor financeiro dispõem de quase R$ 108 bilhões (R$ 107,54 bi) para investimentos só neste ano. Estão em disputa, ao todo, cerca de 600 cargos. É provável que a maioria seja mantida, pela continuidade do governo.
Trata-se de um butim bilionário capaz de levar os partidos a uma batalha política, apesar dos apelos de paz feitos pela presidente da República e da suspensão de novas nomeações para o segundo escalão até que sejam feitas as eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.
A guerra compreende também postos estratégicos em ministérios e órgãos, como os Correios, que o PMDB perdeu para o PT. Na Saúde, a disputa pela Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) deu origem à guerra do segundo escalão. O novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tomou o posto do PMDB e o passou para seu partido, o PT. Agora, os peemedebistas lutam para manter na direção do Fundo Nacional da Saúde (FNS) Ariovaldo Rosendo - apadrinhado do ex-ministro Hélio Costa (PMDB). Esse fundo dispõe de R$ 65,2 bilhões.
PT e PSB decidiram varrer o PMDB de todos os cargos que detém no Ministério da Integração, velho feudo peemedebista. Dos R$ 107,54 bilhões que as estatais têm para investimentos, R$ 91,2 bilhões são do sistema Petrobras, empresa que se tornou objeto de desejo, e da qual Dilma Rousseff não abre mão de controlar. Tanto é assim que chamou o presidente José Sérgio Gabrielli para continuar à frente da empresa. Aos outros partidos resta a luta para não perder os postos que detêm nas diretorias da estatal.

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