Curitiba Nenhuma das siglas que apoiaram o governador eleito Roberto Requião (PMDB) no segundo turno se adianta em apresentar oficialmente nomes e cargos que gostariam de ocupar na próxima administração. Nos bastidores, porém, a negociação já está bastante avançada. E em alguns casos esse início se deu no momento da declaração de apoio à candidatura Requião, horas depois de consumado o primero turno, no dia 6 de outubro.
O candidato derrotado do PT ao governo, deputado federal Padre Roque Zimmermann, disse que até amanhã o partido decide sua posição. ``Está ficando cada vez mais claro que o PT vai participar do novo governo``, disse, sem revelar em que áreas o partido teria interesse. Ele adiantou apenas que o PT integrará a equipe de transição. ``Eu fui convidado a participar dessa equipe, mas não aceitei porque tenho compromissos na Câmara Federal.`` Além disso, Roque pretende cuidar da sua saúde, submetendo-se a uma cirurgia estomacal.
Uma liderança do PT consultada ontem pela Folha, afirmou que, provavelmente, dois petistas integrem o governo de Requião. Padre Roque deve assumir uma secretaria ligada ao combate à miséria. O advogado Edésio Passos, que concorreu ao Senado nessas eleições, deve compor a procuradoria jurídica do Estado.
O presidente do PT do Paraná, André Vargas, não confirmou as possíveis indicações, mas disse que existem ``sinalizações`` quanto à participação de Padre Roque no governo. ``Acho natural que o Padre Roque ocupe um cargo, mas nunca fomos convidados e não discutimos isso``, desconversou.
A cúpula petista se reuniria ontem à noite e volta a conversar hoje pela manhã. Na pauta de discussões, a provável participação do partido no governo de Requião, e a atuação das bancadas petistas na Assembléia Legislativa e Câmara Federal após o segundo turno.
O presidente estadual do PPS e candidato derrotado ao governo, deputado federal Rubens Bueno, foi evasivo ao abordar a montagem do secretariado de Requião. Não quis responder se há alguma área de preferência. ``Não discutimos isso, nesses termos. Nossa aliança é programática``, disse. Segundo ele, não há uma cota definida de pastas para o PPS. Porém, nos bastidores seu nome é tido como certo para assumir uma das secretarias. Nos dias 22 e 23 o partido estará reunido para definir qual postura será adotada.
O presidente do PL, Pastor Oliveira, pretende se reunir amanhã com Requião, em Brasília, para definir a participação do partido no governo. ``O encontro vai ser fora, longe da pressão de Curitiba``, disse. Ele admite que a negociação com o PMDB começou antes mesmo de o partido declarar apoio à candidatura do peemedebista. ``Já temos garantida a presença de três integrantes do partido na transição. Ainda não posso divulgar os nomes porque não oficializei essa decisão ao Requião``, comenta. Dois representantes são do interior e um de Curitiba.
Os nomes que estão sendo ventilados para a Secretaria de Comunicação são o do jornalista Airton Pisseti e do empresário Luiz Mussi, genro de Paulo Pimentel, candidato ao Senado. Requião não quer adiantar nomes dos integrantes do seu futuro governo. Já está certo, no entanto, que a pasta da Educação ficará com Maurício Requião, irmão do governador eleito e a de Agricultura será comandada pelo vice-governador, Orlando Pessuti. Para a Fazenda, ganhou força ontem o nome de Heron Arzua, que foi secretário de Requião no seu primeiro governo. (Colaboraram Maria Duarte e Cristiane Oya)

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