São Paulo Ao anunciar os seis primeiros nomes de sua equipe, na semana passada, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva começou a desenhar, com êxito, um governo de união nacional. Mas ele ainda precisa enfrentar seu mais duro teste: preencher as pastas da área social e, ao mesmo tempo, atender ao apetite dos partidos aliados. ''Os nomes até agora são excelentes, mas foram escolhas pessoais que dispensavam influência partidária'', observa o cientista político Fernando Abrúcio. ''Teste mesmo será o anúncio dos ministérios do PL, PTB e PMDB. Aí a coisa vai pegar.''
Por enquanto, ressalta Abrúcio, não há reparos a fazer. Os ministros nomeados José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente), Roberto Rodrigues (Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Celso Amorim (Relações Exteriores) são elogiados.
Há quem esteja mais cético. Para o sociólogo Emir Sader, um dos intelectuais mais respeitados da esquerda petista, a equipe anunciada até agora representa uma utopia. ''A idéia, completamente irreal, é de que seja possível construir um País diferente sem que ninguém pague o preço pelas transformações'', adverte. ''É impossível mudar e fazer o País crescer se o governo não romper a hegemonia do capital financeiro.''
O processo de formação do Ministério já provocou protestos na esquerda do PT e entre integrantes do Diretório Nacional. É o caso do ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, para quem é ''um profundo equívoco'' o fato de o Diretório Nacional não ter participado das discussões sobre o perfil da equipe. O presidente do PT, José Genoino, rejeita as críticas. ''Não é tarefa do diretório ser consultado ou aprovar ministro. Tudo o que foi encaminhado até agora corresponde aos compromissos de campanha.''

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