Se o governador eleito do Rio, Anthony Garotinho (PDT), insistir em convidar o ex-ministro Ciro Gomes para ser seu secretário de Fazenda, contará com a unânime desaprovação dos partidos que compõem a frente que o elegeu - PDT, PT, PSB e PC do B. O alerta partiu do presidente regional do PDT, Carlos Lupi, que, no entanto, não acha que Garotinho realmente vá chamar o candidato derrotado à presidência da República pelo PPS para fazer parte de seu governo. ‘‘Ele quis fazer um agrado no PPS’’, avaliou Lupi.
O nome de Ciro e dos demais possíveis secretários citados pelo novo governador serão discutidos pelos partidos hoje. O deputado federal Miro Teixeira (PDT), o mais votado do Estado, disse que, apesar de achar que Garotinho estava falando apenas em tese, não concordaria com o convite. ‘‘O Ciro é um neoliberal com outro rótulo e não podemos governar indo contra o nosso próprio programa’’, afirmou. ‘‘Temos pontos convergentes com o Ciro, mas outros estão em desacordo com o que propomos’’.
As críticas dos pedetistas desagradaram ao presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), para quem as restrições ao ex-ministro partiam de uma ‘‘esquerda atrasada’’. ‘‘Pelo que ele (Miro) declarou, é contra porque Ciro tem uma visão diferente, é a favor de privatizações, não é porque não estava originalmente na aliança’’, apontou Freire. ‘‘É uma visão estreita, não sei se é de esquerda, que diabo 钒.
Apesar de Garotinho ter deixado claro que a escolha será apenas dele, sem interferências, o deputado federal eleito Vivaldo Barbosa (PDT) acha que, na reunião com os partidos, o governador ouvirá companheiros. ‘‘A escolha é dele, claro, mas sempre se conversa e se troca idéias’’, disse.

mockup