Aliados desaprovam convite de Garotinho a Ciro para governo
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Raimundo Valentim/Agência EstadoGarotinho: já contestadoAgência Estado 
Se o governador eleito do Rio, Anthony Garotinho (PDT), insistir em convidar o ex-ministro Ciro Gomes para ser seu secretário de Fazenda, contará com a unânime desaprovação dos partidos que compõem a frente que o elegeu - PDT, PT, PSB e PC do B. O alerta partiu do presidente regional do PDT, Carlos Lupi, que, no entanto, não acha que Garotinho realmente vá chamar o candidato derrotado à presidência da República pelo PPS para fazer parte de seu governo. Ele quis fazer um agrado no PPS, avaliou Lupi.
O nome de Ciro e dos demais possíveis secretários citados pelo novo governador serão discutidos pelos partidos hoje. O deputado federal Miro Teixeira (PDT), o mais votado do Estado, disse que, apesar de achar que Garotinho estava falando apenas em tese, não concordaria com o convite. O Ciro é um neoliberal com outro rótulo e não podemos governar indo contra o nosso próprio programa, afirmou. Temos pontos convergentes com o Ciro, mas outros estão em desacordo com o que propomos.
As críticas dos pedetistas desagradaram ao presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), para quem as restrições ao ex-ministro partiam de uma esquerda atrasada. Pelo que ele (Miro) declarou, é contra porque Ciro tem uma visão diferente, é a favor de privatizações, não é porque não estava originalmente na aliança, apontou Freire. É uma visão estreita, não sei se é de esquerda, que diabo é.
Apesar de Garotinho ter deixado claro que a escolha será apenas dele, sem interferências, o deputado federal eleito Vivaldo Barbosa (PDT) acha que, na reunião com os partidos, o governador ouvirá companheiros. A escolha é dele, claro, mas sempre se conversa e se troca idéias, disse.


