Brasília - Aliados do vice-presidente Michel Temer pressionam o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), a adotar uma espécie de rito acelerado para o trâmite que culminará com a decisão da Casa de afastar a presidente Dilma Rousseff após a Câmara autorizar no domingo a abertura do processo contra a petista. Interlocutores do vice afirmam que, quanto maior o tempo para que o Senado decida sobre a saída temporária de Dilma durante o julgamento, maiores também os riscos para a economia.
Cabe ao Senado definir em votação no plenário, por maioria dos presentes, se autoriza a abertura do processo de impeachment de Dilma. A consequência imediata será o afastamento da presidente por até 180 dias para que ela seja julgada pelo crime de responsabilidade. Temer só assumirá a Presidência com poderes de fazer nomeações e propor projetos ao Congresso a partir dessa decisão.

"Quanto menor for este hiato, melhor para o País. No fundo vai ficar uma zona cinzenta da presidente que foi desautorizada pela Câmara", afirmou o presidente em exercício do PMDB e aliado do vice, senador Romero Jucá (RR), favorável a que o Senado decida a questão em, no máximo, 15 dias. "É menos instabilidade. Se o governo está travado agora, imagine neste período", avaliou.

PLACAR NO SENADO
Pelo placar do impeachment publicado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" há maioria de senadores favoráveis ao afastamento da presidente: dos 81, 42 são a favor; 17 contra; 13 não quiseram responder, e nove estão indecisos.

Renan ainda não fechou o calendário de apreciação do impeachment no Senado, mas a assessoria dele já faz simulações de cronograma em que aponta até o dia 11 de maio como provável data votação da instauração do processo e afastamento de Dilma em plenário. Ou seja, 24 dias entre a decisão dos deputados e uma manifestação dos senadores.

Há quem defenda um rito sumário, como foi a solução com o que ocorreu no caso envolvendo o ex-presidente Fernando Collor em 1992. Entre as decisões da Câmara de admissão e do Senado de afastamento, foram apenas três dias - na ocasião, a comissão especial formada por senadores criada para tratar do assunto votou o parecer em apenas duas horas.

O presidente do Senado só falará sobre o assunto a partir da segunda-feira, após a definição da Câmara. Está prevista uma reunião de líderes para a próxima terça-feira para discutir o rito.

A presidente só será afastada em definitivo se houver ao menos 54 dos 81 votos (dois terços) para condená-la ao final do processo instruído pelo Senado. A previsão de aliados de Temer é que isso só ocorra no segundo semestre, em outubro.

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