A vitória do presidente Fernando Henrique Cardoso na Convenção Nacional do PMDB, domingo, em Brasília, com votos maranhenses é admitida pelos correligionários do senador José Sarney (PMDB-AP), que consideram que houve traição dos convencionais do Maranhão. ‘‘Não temos dúvida alguma de que houve traição de convencionais do Maranhão’’, avaliou hoje o deputado Alberico Filho (PMDB-MA), sobrinho de Sarney e defensor da candidatura própria.
Sarney havia prometido os votos do PMDB do Maranhão e do Amapá à candidatura do ex-presidente Itamar Franco ao Palácio do Planalto. Sarney embarcou ontem cedo para Macapá, deixando dúvida entre os rebeldes do PMDB quanto ao empenho em favor da candidatura própria do partido a presidente. Até os amigos mais chegados de Sarney reconhecem que fica difícil rebater as acusações de jogo duplo feitas contra ele, quando os líderes da ala governista do partido sustentam que Fernando Henrique levou boa parte dos 25 votos maranhenses e os sete do Amapá na Convenção do PMDB.
O que chamou a atenção da ala rebelde foi uma coluna política publicada no jornal ‘‘O Estado do Maranhão’’, de propriedade da família Sarney, anteontem. O artigo dava conta de que a delegação maranhense seguira rachada para Brasília. Alberico Filho e o deputado Pedro Novais foram citados como defensores públicos da candidatura própria, enquanto dois outros deputados que participam da administração Roseana Sarney - Gastão Vieira (secretário de Educação) e João Alberto (secretário de Governo) - apareceram no jornal como votos certos em favor da reeleição.
Alberico insiste em que não houve ‘‘nenhum tipo de ação’’ do tio em favor do racha dos convencionais maranhenses. ‘‘Ele reuniu todo mundo no sábado e foi muito claro na defesa do candidato próprio’’, argumentou Alberico. ‘‘Se não foi ele, então foi a filha dele que agiu nos bastidores’’, rebate um rebelde, desconfiado. ‘‘Não fosse isso, o jornal da família Sarney jamais teria oficializado um racha que o senador negava existir’’, completa. O jornal maranhense deixou claro que os delegados do Estado só fechariam em favor da candidatura própria se o candidato fosse Sarney e não Itamar. (A.E.)

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