Aliados de FHC se organizam para reagir
Partidos da base de sustentação avaliam que presidente tem vantagem sobre adversários mas precisa evitar desgastes
Agência Estado
Arquivo FolhaVocabulárioFernando Henrique: declaração infeliz - chamou aposentados de ‘vagabundos’ - ajudou a desgastar imagemOs partidos aliados ao governo esperam definir rapidamente os integrantes do comando da campanha pela reeleição para organizar a reação à queda do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas de intenção de voto. A avaliação geral é de que o presidente ainda dispõe de uma grande vantagem sobre seus adversários na corrida sucessória, mas que deve manter todo o cuidado possível para evitar novos desgastes na sua imagem. Para tentar acertar esses detalhes, o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilella Filho (AL), vai se reunir com Fernando Henrique essa semana.
Nos últimos meses, o governo acabou sendo atingido por vários problemas que contribuíram para prejudicar a imagem do presidente diante da opinião pública. Em pouco tempo, o governo se viu às voltas com uma epidemia de dengue - que até hoje causa grandes problemas no Rio de Janeiro - um megaincêndio em áreas de proteção ambiental em Roraima, e uma greve nas universidades federais. Para aumentar o problema, a seca no Nordeste atingiu o nível de calamidade pública no Nordeste, resultando em saques a supermercados, armazéns e caminhões com mercadorias. Essa última ação teve o apoio do Movimento dos Sem Terra.
Além disso, Fernando Henrique perdeu, em seguida, dois aliados fundamentais na sua articulação política. No dia 19 de abril, morreu o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, responsável por toda a coordenação de campanha que elegera Fernando Henrique em 1994 e principal estrategista tucano. Dois dias depois, morreu o deputado Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), que era o líder do governo na Câmara e funcionava como ponte do presidente com o Congresso.
O próprio Fernando Henrique Cardoso criou problemas para sua imagem com declarações que tiveram má repercussão. A pior delas foi quando chamou de ‘‘vagabundos’’ quem se aposenta antes dos 50 anos. O presidente tentou se explicar três vezes sobre o assunto, até convocar uma rede oficial de rádio e televisão para dar sua versão sobre o fato.
‘‘A situação não é alarmante, mas não podemos ignorá-la’’, explica o senador Teotônio Vilella, amenizando o problema. Apesar disso, o PSDB procura encontrar um político para servir como uma espécie de coordenador político do partido. Um dos nomes pensados para a função é o do governador do Rio de Janeiro, Marcello Alencar.
Com a definição dos representantes dos partidos aliados (PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB), o governo espera reencontrar seu equilíbrio político. Pesquisas internas do governo apontam que a melhor ação para o presidente, no momento, é evitar uma hiperexposição negativa. Portanto, a idéia é que ações políticas polêmicas sejam assumidas por outros aliados para evitar um desgaste maior de Fernando Henrique.

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