Aliados de Cunha e Sarney tentam ressuscitar PEC
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília- Enquanto os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), amargavam a derrubada da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reeleição nas duas Casas pelos deputados, anteontem, os grupos ligados a eles trabalhavam ontem uma reação em duas frentes: tentando criar condições para trazer a PEC de volta ao plenário da Câmara nos próximos 15 dias e montando uma agenda de votação que poderá agradar a sociedade na mesma medida em que incomodar o Planalto.
Ministros políticos e líderes petistas amanheceram o dia avaliando que a derrota da reeleição havia sido dos males, o menor, uma vez que isto poderia abreviar a briga de poder no Legislativo. Mas a reação do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) e dos aliados de Cunha deixaram claro que a estratégia agora é ganhar tempo para articular a volta da PEC à pauta de votação em dez ou 15 dias. Uma má notícia para o Planalto, uma vez que a briga arrastada entre Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), amplia a crise na Casa. O governo também sabe dos riscos que corre por ter cruzado os braços diante na votação da PEC que produziu a derrota e a má vontade dos presidentes da Câmara e do Senado.
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do País, em visita oficial de dez dias à China, é um ingrediente com o qual os articuladores da administração federal contam para reduzir a temperatura da crise.
Mas basta um ato de Cunha para que o projeto que corrige a tabela do Imposto de Renda (IR) e provoca arrepios no ministro da Fazenda, Antônio Palocci, entre na pauta de votação da Câmara em regime de urgência.
Calheiros, que deu grande demonstração de força política na votação da PEC, com um placar de 63 votos contrários e apenas 15 peemedebistas em favor da reeleição, reagiu à notícia de que o assunto pode ser retomado se houver ambiente político favorável. ''O que a Câmara fez foi barrar o casuísmo da reeleição (para os atuais presidentes da Câmara e Senado)'', insistiu ontem o líder do PMDB no Senado, para quem a decisão não foi regimental, e sim política, contra a emenda. ''Votar isto de novo seria o casuísmo do casuísmo'', acusou.


