Aliados criam quatro CPIs ''laranjas''
Leandro Donatti
De Curitiba
Os deputados que dão sustentação política ao governador Jaime Lerner (PFL), na Assembléia Legislativa, criaram quatro CPIs laranjas para diluir os poderes da oposição nas investigações do narcotráfico e do crime organizado. As CPIs, articuladas da noite para o dia pelo líder do governo Valdir Rossoni (PTB), foram instaladas ontem mesmo pelo presidente da Casa, Nelson Justus (PTB). E fazem parte de uma ofensiva iniciada pelo Palácio Iguaçu para abafar o discurso da oposição que, anteontem, conseguiu junto à bancada do PSDB o apoio político que precisava para a auto-instalação de uma CPI estadual do narcotráfico.
O governo do Estado sempre foi contra a instalação de uma comissão parlamentar para apurar o problema, desvendado pela CPI nacional no início de março, com medo de mais exposição. No último dia 22, os deputados governistas rejeitaram o requerimento da oposição. Conscientes de que não teriam como brecar a proposta, diante da adesão tucana, os governistas agiram com rapidez. Na surdina, e com o apoio tácito do presidente da Casa, subescreveram cinco CPIs na noite de terça-feira. O curioso é que os protocolos, pedindo as CPIs, foram entregues depois do expediente, em mãos, para Justus, que fazia um serão.
Para não ficar evidente a má-vontade oficial em entregar para os adversários a apuração do tráfico de drogas e o crime organizado, os governistas aceitaram manter a CPI estadual do narcotráfico, mas com a condição de que o número de integrantes não fosse de sete deputados mas de 11. A manobra garante maioria absoluta e com folga da situação. PT, PDT, PMDB e setores do PSDB que fazem oposição ao governo Jaime Lerner não têm poder de fogo para indicar mais que quatro representantes. Não vamos desistir. Vamos indicar representantes sim, garantiu o líder da oposição Irineu Colombo (PT). O deputado disse que a oposição vai boicotar as demais comissões.
Além do narcotráfico, a Assembléia se propõe a partir de hoje a investigar: 1) o roubo de cargas; 2) a adulteração dos combustíveis, sonegação de impostos pelas distribuídoras de petróleo e postos de gasolina; 3) medicamentos; 4) cartel dos supermercados. A instalação das CPIs, a pedido do governo, inviabiliza a CPI do Pedágio, também costurada pela oposição há meses, mas ainda sem as 18 assinaturas suficientes para sua criação.





