Na tentativa de constranger os deputados da base governista, os líderes dos cinco partidos aliados ao Palácio do Planalto farão uma operação, na próxima semana, para coletar assinaturas favoráveis ao manifesto contra a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) ampla com o objetivo de investigar corrupção no governo. Com o manifesto, os governistas querem garantir um compromisso formal da base aliada contra a comissão e, dessa forma, evitar que os deputados assinem o requerimento da CPI.
‘‘A nossa preocupação é não deixar o governo permanentemente sujeito à ampliação do número de assinaturas a favor da CPI’’, explicou o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA). Pouco mais de 80 do total de 105 deputados do PSDB assinaram o manifesto intitulado ‘‘Por que não assinamos a CPI da Corrupção’’. Os demais partidos governistas também estão coletando as assinaturas.
O manifesto deu o primeiro resultado. Seis deputados gaúchos, entre eles Júlio Redecker (PPB) e Augusto Nardes (PPB), resolveram retirar as assinaturas do requerimento da CPI. Eles enviaram uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso expondo as razões para deixar de apoiar o pedido de abertura do inquérito. Na carta, alegam que ‘‘confiam no governo de Fernando Henrique’’ e que, depois de refletir, viram que uma CPI paralisaria o País.
A decisão dos líderes dos cinco partidos aliados - PMDB, PSDB, PFL, PSDB e PPB - de lançar o manifesto foi tomada na terça-feira à noite, quando havia o risco de ser criada uma CPI da corrupção no Senado. ‘‘Tinha muito deputado que não sabia nos dizer se havia ou não assinado o manifesto’’, explicou o líder tucano. ‘‘Por isso, resolvemos evitar essa situação indeterminada e deixar claro quem apoia a CPI e quem está contra’’, completou.
A estratégia dos líderes governistas de lançar o manifesto funcionará ainda como uma forma de o Planalto mapear quem integra a base de apoio e quem está com a oposição e assim deverá ser tratado. Além disso, servirá de contraponto aos partidos oposicionistas que programaram, a partir da próxima semana, amplas manifestações em todo o País para mobilizar a população a favor das investigações. ‘‘A marcha da insensatez foi contida’’, assegurou o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). Para ele, os parlamentares convenceram-se de que a CPI só serviria de palco para a oposição. Virgílio Neto insiste que a instauração de uma comissão de inquérito agora atrapalha a governabilidade porque ela não investigará um fato determinado.
O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), advertiu, no entanto, que continua ‘‘alerta e vigilante’’. ‘‘Precisamos estar atentos a qualquer movimento para podermos reagir, caso haja necessidade’’, avisou ele, que se disse menos preocupado do que no início da semana.

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