De ''fórum de debates'' a ''grupo de estudo'': foi essa a terminologia aprovada ontem pelos vereadores de Londrina à comissão criada para estudar a viabilidade econômica e financeira da Sercomtel Fixa e Celular e ''apresentar soluções'' ao futuro da telefônica. A praticamente dois meses para o fim do ano legislativo, o grupo é constituído em sua maioria por nomes da base aliada ao prefeito Nedson Micheleti (PT), e, até semana passada, favoráveis à venda da Celular.
Participam da comissão - com direito a no máximo duas faltas cada - o presidente da Câmara e autor da iniciativa, Sidney de Souza (PTB), além dos vereadores Paulo Arildo (PSDB), Jamil Janene (PMDB), Tercílio Turini (PPS) e o líder do Executivo na Casa, Gláudio Lima (PT). Entre as atribuições citadas pelo requerimento, a equipe terá de coordenar debates para avaliação da viabilidade da telefônica a fim de buscarem ''informações técnicas, jurídicas e financeiras que possam apresentar a melhor solução, sob a ótica do interesse público, para o sistema de telefonia da cidade''.
Apesar dos cuidados em estabelecer que o estudo terá viés técnico, e não político, e em ressaltar que não há qualquer deliberação, nos discursos a sinalização é de panorama favorável à privatização.
''A Câmara não pode se omitir em um debate como esse, e vale lembrar que, além de em 2008 termos mais uma concorrente à Celular (a operadora Claro), é grande a dívida desta com a Fixa; isso não pode continuar'', definiu Gláudio. ''Esse processo não é exatamente de venda, mas de sociabilização das informações. Mas seguramente o assunto na Casa hoje tem um amadurecimento maior em relação à precariedade da sobrevivência da Celular.''
Para a vereadora Sandra Graça (PP), que se absteve na votação, iniciar estudo do gênero agora ''cria uma expectativa grande, sem tempo hábil para ser concluído ainda em 2007''. ''Sem contar que temos diversos pedidos de informações sobre a Sercomtel ainda não respondidos pelo Executivo'', completou. Autor da lei do plebiscito, Turini minimizou: ''Creio que em dois meses dá tempo de coletar os dados, mesmo porque o único projeto mais polêmico desse fim do ano, já analisado nas comissões, é o orçamento''. Jamil adotou linha semelhante: ''Vamos fazer de tudo para o trabalho ser o mais rápido possível''. Já Lourival Germano (PT) admite: ''Até dezembro é muito pouco tempo. Talvez se estenda até 2008''.
A venda da Celular também norteou ontem a audiência, em Curitiba, de representantes da Sercomtel com o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, e o vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB). ''Pela Fixa e Internet, pedimos ampliação do investimentos (da estatal), redirecionamento de estratégias e . Já a situação da Celular tem que ser avaliada, dadas as pressões fortes no mercado'', declarou o vice-presidente da telefônica, Oscar Bordin. De acordo com ele, Pessuti e Ghilardi ficaram de estudar um posicionamento sobre o teor da discussão. ''De qualquer forma, é importante a Câmara analisar a Celular com frieza de mercado e abrir a discussão à comunidade'', sugeriu.

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