Aliados cogitam oferecer presidência a senador do PP
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - Com a possibilidade de uma eventual renúncia do senador José Sarney (PMDB-AP) ao cargo de presidente, os líderes aliados e de oposição começam a discutir, em conversas reservadas, um plano B, que passa pela escolha de um nome que possa substituir o senador peemedebista no comando da Casa. A cúpula do PMDB no Senado já avisou que não abrirá mão da vaga para o PT. Diante das dificuldades de encontrar um nome na bancada de 19 senadores do partido, a direção do PMDB já estaria cogitando ceder o cargo para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Além de aliado fiel de Sarney, Dornelles tem a seu favor o amplo trânsito tanto com a oposição quanto com os governistas. Seu nome não enfrentaria resistências junto aos tucanos nem democratas. Também é bem visto pelos petistas. Com perfil moderado e considerado um bom negociador, ele tem ainda a seu favor o fato de ser considerado como parte da bancada do PMDB, na definição de um dirigente do partido. Único senador do PP, a sigla forma um bloco com o PMDB do Senado, o que ajuda a credenciá-lo como possível substituto de Sarney na presidência do Senado.
Aos 74 anos, Dornelles tem um currículo extenso e, ao longo de 50 anos de vida pública, não foi alvo de denúncias ou esteve envolvido em escândalos. Sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves, Dornelles foi ministro do Trabalho do governo Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda do governo de José Sarney e secretário da Receita Federal no governo militar de João Figueiredo.
Apesar do nome de Dornelles ter a simpatia de seus colegas de Senado, a bancada do PMDB deverá resistir em ceder a vaga a um estranho. Afinal, vários senadores peemedebistas sonham com o comando da Casa. O mais animado é o ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN), o único não dissidente do PMDB a defender publicamente que Sarney se afaste do cargo.
Em 2007, Garibaldi assumiu a presidência do Senado, também num momento de crise, quando Renan Calheiros foi obrigado a renunciar ao cargo para salvar o mandato. Há dúvidas jurídicas, no entanto, se Garibaldi poderia assumir novamente o comando do Senado. Como ele deixou a cadeira no dia 2 de fevereiro último, quando Sarney foi eleito, sua volta à presidência pode ser considerada uma reeleição, o que é proibido pela Constituição.


