Agência Estado
De Brasília
Senadores aliados fizeram ontem apelos para que o presidente Fernando Henrique Cardoso dê atenção ao protesto dos que participaram da Marcha dos 100 Mil na quinta-feira e priorize as questões sociais do País. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) propôs em plenário que o presidente reúna a equipe ‘‘para traçar uma política social séria de combate à pobreza’’. Para Simon, o ato foi ‘‘uma prova de democracia altamente positiva’’. ‘‘Hoje, existe uma página em branco na frente de Fernando Henrique’’, afirmou. ‘‘Que ele escreva nessa página quais serão os rumos do governo já nesta segunda-feira’’.
O senador peemedebista defendeu a possibilidade de o presidente mudar os rumos da economia, que considera ‘‘fruto da insensibilidade da equipe econômica do governo e dos tecnocratas’’. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique deve reunir-se com pessoas mais sensíveis às questões sociais, como o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira e o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.
‘‘A equipe econômica pode até participar’’, frisou. ‘‘Mas só se for para ficar calada, para ouvir apenas.’’ No entender de Simon, a marcha foi um sucesso, não apenas pela tranquilidade, mas também pela decisão da oposição de, segundo ele, abandonar a idéia de defender a renúncia do presidente da República. Na opinião do senador, a manifestação mostrou que ‘‘há muita gente magoada com o que está acontecendo e que há necessidade de mudar’’.
Também o senador Carlos Patrocínio (PFL-TO) afirmou que ‘‘os manifestantes quiseram chamar a atenção das autoridades constituídas para uma série de dificuldades pela qual passa o País’’. Segundo ele, ‘‘os parlamentares têm de ficar atentos e aplaudir as manifestações que têm extratos, repelindo aquelas de cunho meramente ideológico’’.
O alerta ao governo partiu igualmente do senador Romero Jucá (PSDB-RR). No entender dele, ‘‘a paz que cercou a marcha e a representatividade dos números obrigam o governo a fazer face a algumas reivindicações justas que foram colocadas’’. ‘‘A manifestação provou que alguns setores podem demonstrar sua insatisfação’’, defendeu.
Um dia depois da Marcha dos 100 Mil, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), chamou os membros dos partidos oposicionistas de ‘‘subversivos’’, um termo muito usado na época do regime militar. Ele fez a afirmação na inauguração de uma barragem, no Sertão baiano. ‘‘Disseram que levariam 100 mil na passeata do falso protesto; não conseguiram nem 10 mil’’, ironizou o senador, achando que, na inauguração da Barragem de Ponto Novo, tinha até mais gente do que no protesto.
‘‘Tem 50 mil aqui’’, disse. ‘‘Anteontem, os subversivos queriam gente de todo o Brasil, e hoje (ontem), numa região da Bahia, vê-se essa multidão que compareceu para ver essa grande obra’’, continuou ACM, garantindo: ‘‘É de obra que o povo precisa.’’Um dia depois da marcha, governistas afirmam que Planalto deve considerar o protesto e traçar política antimiséria
Arquivo FolhaNOVOS RUMOSSimon: ‘‘Hoje existe uma página em branco para o presidente. Que ele escreva quais serão os rumos já nesta segunda’’

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