Brasília - O plano em elaboração no governo para criar um novo partido destinado a receber parlamentares dissidentes da oposição e descontentes da base aliada foi abortado ontem. Durante reunião na residência oficial do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, discutiu o assunto com os líderes das legendas mais fiéis ao Palácio do Planalto.
O ministro perguntou se os líderes concordavam com a apresentação de um projeto para alterar da legislação partidária. O objetivo da mudança seria garantir que, ao trocar de legenda, deputados e senadores levassem consigo uma fatia do tempo de televisão e dos recursos do fundo público que garante a sobrevivência dos partidos. A idéia foi rejeitada.
O líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), um dos primeiros a condenar a proposta, considerou a idéia um ''casuísmo'' e comparou-a à emenda constitucional cuja aprovação permitiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante da manifestação contrária dos líderes, Dirceu considerou o assunto encerrado, segundo relato de Jefferson.

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