Aliados apóiam reivindicação do Judiciário
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terça-feira, 29 de julho de 2003
Agência Folha 
Brasília - A discussão sobre qual será o subteto salarial do Judiciário nos Estados colocou novamente em campos opostos o governo e sua base de sustentação na Câmara dos Deputados. Mesmo com a posição oficial do Planalto de não ceder, os líderes dos partidos da base se reuniram ontem e deixaram claro no encontro que apóiam a reivindicação do Judiciário de aumentar o subteto proposto na reforma da Previdência de 75% para 90,25% do salário pago ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
O subteto em 75% (o equivalente a R$ 12.877,50) é um dos pontos mais polêmicos do parecer do deputado José Pimentel (PT-CE), tendo sido o responsável por um lobby contrário dos principais representantes da magistratura que até marcaram uma greve contra a reforma. Eles querem o teto de 90,25%, equivalente a R$ 15.538,00 hoje.
A posição quase unânime dos líderes partidários em favor dos juízes é baseada no argumento de que o parecer de Pimentel - que deve ir a voto no plenário na próxima quarta-feira - contrariaria a determinação constitucional de irredutibilidade do subsídio dos juízes e, devido a isso, seria derrubado pelo STF.
''O governo tem uma base parlamentar e a base vai colocar, no tempo devido, se nós temos condições de aprovar a reforma originalmente ou se a gente quer alguma modificação'', afirmou o deputado Nelson Pellegrino (BA), líder da bancada do PT. Segundo ele, há ''sensibilidade'' da base para alterar o subteto e a proposta das novas pensões, que terão uma redução entre 30% e 100% do que exceder R$ 1.058 - os deputados querem elevar a faixa isenta para R$ 2.400.
''O desejo do governo é aprovar o relatório na íntegra, mas há o desejo dos líderes de aprimorar alguns pontos'', disse Eunício Oliveira (CE), líder da bancada do PMDB. ''Queremos um aperfeiçoamento, nada que mude o cerne'', reforçou Eduardo Campos (PE), líder do PSB.
Durante a tramitação na comissão especial, a base aliada já tinha encampado publicamente várias propostas do Judiciário, mas acabou sendo desautorizada pelo governo, que atendeu a pressão dos governadores, temerosos pelos impactos das alterações nos caixas estaduais. No final, chegou-se a uma solução mediadora: o subteto do Judiciário ficou em 75%, mas o governo aceitou manter, para os atuais servidores, o salário integral na aposentadoria e a paridade de reajustes entre ativos e inativos.


