Aliados admitem fracasso das reformas
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Deputados e senadores da base aliada ao governo admitem que as principais reformas do Estado - como a administrativa, a previdenciária e a tributária - fracassaram e só deverão ser feitas durante o mandato do próximo presidente da República, de preferência o próprio Fernando Henrique Cardoso. Todos os cálculos que eles fazem levam à conclusão de que o tempo é curto e as dificuldades são muito grandes.
O projeto de reforma da Previdência, por exemplo, está no Senado desde o mês de junho de 1996 e só deverá ser votado pelo plenário nesta semana, em primeiro turno. Pelos cálculos mais otimistas que possam ser feitos, a emenda constitucional da reforma da Previdência só deverá retornar à Câmara no final do mês ou no início de outubro. O Senado pretende mudar totalmente a proposta de reforma da Previdência, o que obriga o retorno dela à Câmara. Na volta à Câmara deverá percorrer mais um ano de debates.
Cada avanço no tempo deixa mais pessimistas os líderes dos partidos aliados ao governo quanto à possibilidade de aprovação da reforma administrativa, da reforma da Previdência e da reforma tributária. As poucas esperanças que ainda existem de um desfecho ainda neste governo voltaram-se todas para a reforma administrativa. O relator do projeto, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), acha que se a emenda constitucional for votada no final da primeira quinzena de outubro _ data com a qual trabalha _ a reforma administrativa poderá ser promulgada antes da posse do novo presidente, em janeiro de 1999.
ELEIÇÕES
Moreira Franco acredita que no Senado será mais fácil aprovar a reforma administrativa. Pelo que sei os senadores são menos arredios à proposta do que os deputados, disse ele. O problema é que no ano que vem haverá eleições. O Congresso, por causa delas, deverá ter suas atividades reduzidas no segundo semestre. E, por ser ano eleitoral, nenhum político gosta de enfrentar a ira dos eleitores, principalmente com uma reforma administrativa que autoriza demissões. É por causa desta realidade que a maioria dos líderes é mais pessimista do que Moreira Franco.
O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), não vê nenhuma possibilidade de aprovação da reforma da Previdência e da reforma tributária neste governo. Quanto à administrativa, acha que será muito difícil a sua aprovação, embora não se arrisque a dizer, com certeza absoluta, que ficará para o próximo presidente. E para piorar a situação, o governo continua enviando propostas polêmicas ao Congresso. Como a Lei Pelé, que não tem nada a ver com as reformas constitucionais, mas pode atrelar votos e aumentar o poder de barganha pessoal dos deputados.
A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) esqueceu o presente e já fala pensando no futuro. Ela quer que o próximo Congresso inicie seus trabalhos analisando a reforma tributária. Neste intervalo de agora até o final do mandato de Fernando Henrique, o governo deveria enviar ao Congresso algumas leis relativas à questão tributária, prega Yeda. Se alguma coisa for aprovada, será um grande lucro.
Entre os aliados ao governo existem até os que defendem uma estratégia diferente, 100% baseada na reeleição de Fernando Henrique. Em resumo, eles trabalham assim: reeleito o presidente e já conhecidos os deputados e senadores reconduzidos aos seus cargos, o governo faria todos os esforços para aprovar o máximo de propostas no momento final do Congresso que sai em fevereiro de 1999.
Imediatamente depois da posse, seria feito novo esforço na Câmara e no Senado, para aproveitar o fôlego dos novos que chegarem.


