Curitiba - Parlamentares da base aliada pela primeira vez deram demonstrações claras de que o governo do Estado não está seguro sobre a aprovação, na Assembléia Legislativa, da matéria que prevê alterações em alíquotas de ICMS. A mudança no discurso é resultado das primeiras audiências públicas realizadas sobre a proposta do Executivo. ''Há anos temos a mesma estrutura tributária e, portanto, precisamos nos modernizar. Mas sinto que há uma grande resistência de determinados grupos econômicos'', disse ontem o líder do governo na Casa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
O deputado Alexandre Curi (PMDB) já havia declarado que o governo não fará ''pressão'' para a matéria ser aprovada. ''Se a Assembléia não quiser, não há imposição. Nós apresentamos a proposta porque entendemos que ela favorece as classes C, D e E'', indicou Curi. A nova estratégia da base para tentar mudar o rumo das discussões foi anunciada ontem. Eron Arzua, à frente da pasta da Fazenda, teria se comprometido a acompanhar as demais audiências públicas.
Para a oposição, ao contrário do que sustenta o Executivo, as grandes empresas sairão beneficiadas. ''150 mil pequenas empresas já estão contempladas com a política do Simples, que é uma das poucas coisas boas que o governo fez. Agora, os grandes também podem ter redução de ICMS. Haverá concorrência desleal'', afirmou o deputado Valdir Rossoni (PSDB). A crise econômica norte-americana também exigiria ''cautela''. ''Ainda não sabemos o tamanho do problema que vamos enfrentar'', completou o tucano.
Pela proposta, a alíquota de ICMS da gasolina passaria de 26% para 28%. Alíquotas de ICMS de energia elétrica, telecomunicação, cigarro e cerveja também sofreriam aumento, de 27% para 29%. Em compensação, ICMS de produtos da ''cesta de consumo'' seriam diminuídos, de 18% para 12%.

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