Aliados acusam PT de fragmentar base
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sábado, 15 de março de 2014
Débora Bergamasco e Eduardo Bresciani<br>Agência Estado 
Brasília - As derrotas impostas ao governo na Câmara durante a semana passada escancararam o descontentamento da base com a reforma ministerial e a política de liberação de emendas do Palácio do Planalto. A rebelião da base, porém, traz em sua essência o temor de que o PT fragmente os partidos aliados e cresça nas eleições de outubro justamente sobre eles para garantir hegemonia no Congresso.
Segundo líderes de partidos aliados, esse é, na verdade, o principal motivo da crise enfrentada por Dilma Rousseff na Câmara. Os parlamentares que dão sustentação à presidente acusam o PT de promover rompimentos em estados-chave e buscar exclusividade na hora de faturar politicamente com ações do governo.
Ao mesmo tempo, os petistas incentivam cisões internas nos partidos da base para provocar seu enfraquecimento. Segundo essa estratégia, o ideal para os petistas seria ter partidos com no máximo 60 representantes na Câmara. Com isso, seu poder de fogo na hora das negociações cresceria significativamente. Atualmente o PT já conta com a maior bancada da Câmara. São 87 deputados federais. A expectativa dos dirigentes petistas é elevar esse número para além de 100 cadeiras nas eleições de outubro deste ano.
A segunda maior bancada da Câmara é a do PMDB, principal aliado dos petistas no projeto reeleitoral de Dilma e detentor da vaga de vice na chapa petista. Hoje há 75 peemedebistas na Câmara. O partido, porém, não tem perspectivas de aumento. Teme, inclusive, perder espaço para o PT. Trata-se de uma previsão compartilhada por outros partidos da base. Como a oposição já foi reduzida de forma substancial nas eleições de 2010 e sangrou ainda mais com o patrocínio do governo à criação de novas legendas, como PSD e PROS, só resta agora aos petistas crescer em cima dos próprios partidos aliados.
"O ponto principal é que querem crescer em cima da gente", disse o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). "Há um sentimento generalizado, que permeia todos os partidos, de que o PT trabalha ferozmente com um desejo até programático de ter uma maioria folgada de deputados federais", afirma Moreira Mendes (RO), que comanda a bancada do PSD. "Estão crescendo às custas do enfraquecimento da base. Todos apoiam o governo e se suicidam", afirma Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB e organizador do "blocão" que abriu guerra contra o Palácio do Planalto.
A redução do poder dos aliados daria a chance de o PT ocupar o comando da Câmara. A maior bancada tradicionalmente indica o presidente da Casa. Petistas e peemedebistas fecharam acordo de fazer um rodízio no cargo. O PT não tem intenção de renovar esse acordo para a próxima legislatura. O PMDB garante que disputará a continuidade em 2015 ainda que saia encolhido das urnas. A pretensão peemedebista é um dos fatores que ajudam a explicar a formação do "blocão", o grupo de parlamentares da base aliada que decidiu atuar de forma independente do governo.
O número de deputados define o tempo de televisão no horário eleitoral gratuito e as quotas do fundo partidário destinados às siglas, recursos públicos direcionados para sustentar as legendas. A briga entre PT e PMDB nos estados também tem a ver com isso. As eleições para governador influenciam diretamente o resultado das eleições para deputado federal e estadual, pois os candidatos ao Executivo acabam puxando votos de legenda para os candidatos ao Legislativo.
Além do notório caso de rompimento no Rio, onde Lindbergh Farias (PT) está em campanha aberta para enfrentar Luiz Fernando Pezão (PMDB), vice de Sérgio Cabral (PMDB), o PT também banca as candidaturas dos ex-ministros Fernando Pimentel e Gleisi Hoffmann em Minas Gerais e Paraná, estados onde apoiou aliados em 2010.


