Brasília - O novo presidente do Conselho de Ética do Senado é o senador Paulo Duque (PMDB-RJ). Lançado pelo líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), Duque recebeu dez votos. Houve uma abstenção e quatro votaram em branco. A presença do peemedebista no comando do colegiado é vista pela oposição como uma blindagem ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que é alvo de quatro denúncias por quebra de decoro parlamentar. Não houve indicação para a vice-presidência na sessão de ontem.
Duque é considerado integrante da tropa de choque de Renan. Suplente do governador Sérgio Cabral (RJ), tem perfil considerado intempestivo. Ontem, na instalação da CPI da Petrobras, o peemedebista deu demonstrações de que não se preocupa com o regimento. Ele provocou um mal-estar ao desafiar o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e negar o direito dos parlamentares discutirem as indicações como prevê o artigo 14 do regimento do Senado.
Para aliados mais próximos de Sarney, a indicação de Duque para o comando do colegiado garante maior controle das medidas do conselho sobre as denúncias contra o presidente do Senado. Os aliados de Sarney querem colocar um senador fiel no comando do colegiado porque, pelo regimento do conselho, o presidente tem a prerrogativa de rejeitar sumariamente as denúncias e representações contra senadores.
Na primeira reunião, o conselho terá que começar a avaliar quatro denúncias contra o presidente do Senado e uma contra Renan. Sarney foi levado ao conselho por uma representação do PSOL e três denúncias do líder do PSDB, Arthur Virgílio.
O presidente do Senado foi denunciado por quebra de decoro parlamentar pela edição dos atos secretos e também pela suspeita de ter usado o cargo para interferir a favor da fundação que leva seu nome. Se o processo for aberto pelo conselho - atendendo a algumas exigências, como fundamento do pedido de investigação, fato determinado e cinco testemunhas que validem o documento -, Sarney poderá ser afastado do comando da Casa.

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