Aliado de Nedson sonhava chegar à Prefeitura
''Por que não se optou pela renúncia? Porque seria mais cômodo para a defesa se assim ele o fizesse. Além do mais, a renúncia seria a confissão tácita de culpa - e o Bonilha vai mostrar à sociedade que tem que escancarar a Câmara, como é e onde funciona isso tudo: vamos abrir.'' A declaração foi dada pelo advogado do então vereador afastado Orlando Bonilha (PR), Ronaldo Neves, mas no último dia 6: instantes após ser instalada a Comissão Processante (CP) contra ele e minutos antes de ser preso no estacionamento do Legislativo por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O vereador passou um dia sob custódia policial no quartel do Corpo de Bombeiros do Jardim Tókio, Zona Oeste.
Ontem, a declaração de Neves caiu por terra, ao menos no que referia à intenção de o cliente não abrir mão do terceiro mandato: nas cinco páginas lidas em Plenário por um servidor de carreira da Câmara, o agora ex-vereador, prestes a completar 44 anos no dia 1º de abril, insinuou que a turbulência pela qual vem passando teria motivações político-eleitorais. Sobre isso, Bonilha mencionou ter sido convidado pelo PR a ser o nome a disputar a Prefeitura, este ano, o que ''feriu com certeza interesses obscuros da política local''. Sem citar as seis ações ingressadas contra ele pelo Ministério Público (MP) - três penais, por concussão, e três civis públicas, por ato de improbidade administrativa, além de procedimentos investigatórios em andamento -, classificou episódios alheios a essa suposta conotação eleitoral como ''fatos isolados envolvendo meu nome'', ''furor da imprensa'' e ou ''açodamento de alguns'' com o suposto propósito de ''destruir minha vida pública, tirando assim a possibilidade de ter de forma concreta a possibilidade de estar à frente dessa cidade''.
Pouco antes de mencionar, ao fim, a família, os amigos e os eleitores, para justificar a renúncia, em tom visivelmente destoante do restante da carta, Bonilha profetiza: ''Tenho a certeza de que em momento oportuno verificaremos as verdades aluídas ao caso em epígrafe''.
Natural de Fênix (63 km a leste de Campo Mourão), o ex-vereador construiu na região do Cinco Conjuntos sua base eleitoral mais forte. Um dos homens fortes da base aliada ao prefeito Nedson Micheleti (PT) na Câmara, presidente da Casa por dois biênios (entre 2003 e 2006) e, na atividade parlamentar, ferrenho defensor da venda da Sercomtel Fixa e Celular e também da malfadada municipalização dos serviços de água e esgoto, o parlamentar teve como um de seus pontos altos na carreira os nove dias em que ocupou interinamente a Prefeitura, em dezembro de 2006, durante licença de Nedson e do vice, Luiz Fernando Pinto Dias (PT). Evangélico, criou, na ocasião, em pleno aniversário da cidade (10 de Dezembro), o ''Dia do Arrependimento''. ''Estou me credenciando para, no futuro, colocar o meu nome à disposição do meu partido. Ninguém é prefeito de si próprio, vai depender do grupo'', declarou à FOLHA, à época. (Janaina Garcia/Reportagem Local





