São Paulo - Na caçada ao pré-candidato a prefeito Paulo Maluf (PP), o Ministério Público (MP) quer descobrir até o que há sob a cama do engenheiro Reynaldo de Barros, antigo aliado do ex-prefeito, a quem serviu como secretário de Obras entre 1993 e 1996. Os promotores da Cidadania pediram, liminarmente, à Justiça, e foram atendidos em parte, autorização para uma operação de busca na casa de Barros, onde suspeitam que podem encontrar documentos bancários e dólares que estariam escondidos no fundo falso do piso do quarto do ex-secretário.
''Defiro a liminar para, tão-somente, se constatar a existência de eventual compartimento sob a cama do requerido (Barros) e, em caso positivo, na hipótese de ser encontrado numerário em seu interior, haver a discriminação do mesmo'', decidiu a juíza Renata Okida, que, sexta-feira, decretou a quebra do sigilo de Maluf e da família dele na investigação sobre contas milionárias em paraísos fiscais.
O que levou os promotores a direcionarem o foco da apuração sobre o ex-homem forte do governo Maluf foi o depoimento de Marcos Feliciano de Oliveira, mais conhecido como ''Capacete'', que revelou a suposta existência do cofre secreto de Barros. ''Para acessar tal compartimento, é necessário afastar a cama e retirar o tapete'', disse o denunciante ao MP. Ele revelou detalhes sobre o patrimônio do ex-secretário, incluindo bens na Flórida e conta bancária no Merryl Linch de Miami, agência Byscaine Boulevard. Barros também teria participação na offshore Ber Corporation.
Os promotores requereram busca e apreensão ''de quaisquer documentos bancários internacionais, de contas de telefones, extratos de cartões de crédito, agendas, informações constantes em discos flexíveis ou rígidos de computadores e quaisquer papéis de interesse da investigação. A juíza considerou o pedido ''extremamente amplo'' e concedeu liminar parcial.

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