Depois de ''gastos com assessores'' e ''reajuste de verba'', a expressão que mais se ouviu ontem na Câmara de Vereadores de Londrina foi ''aspecto moral'' o que não significa, contudo, que quem a empunhou tenham sido somente os cidadãos que protestaram das arquibancadas. Preocupada com quem votou contra o reajuste de R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil, boa parte dos vereadores que assinalou o voto a favor sugeriram aos demais colegas que não usem os R$ 2,5 mil a mais, se não concordam com isso.
Mesmo em oposição à medida, pelo menos cinco dos sete parlamentares podem alterar as opiniões ao longo da Legislatura. Sandra Graça (PDT), por exemplo, salientou que usar a verba adicional não contradiz seu voto (contra o reajuste) ''porque está dentro do que a lei permite''. Se isso é incoerente com a postura moral almejada pelos colegas? Ela garante que não, ao mesmo tempo em que admite ter mudado o voto, na primeira discussão, em cima da hora de votação. ''Mudei porque não concordava com alguns tópicos'', disse, evasiva. A Folha apurou que um desses tópicos é o aumento de R$ 10,3 mil para R$ 13,8 mil nos gastos de gabinete da Presidência, chefiada hoje por Orlando Bonilha (PL).
Vereador mais votado em outubro passado, Marcelo Belinati (PSL) também foi contra o reajuste, mas ainda não sabe se vai usar o valor atual ou o aprovado ontem. ''Acho que analisaram o projeto muito rapidamente, pois é polêmico demais. Mesmo assim, vou ver juridicamente o que devo fazer (sobre aceitar ou não os R$ 2,5 mil a mais para assessores).''
Renato Araújo (PP) assegurou que vai manter os dois assessores com os R$ 4,3 mil, bem como o assessor ''pago do meu próprio bolso'' que recebe R$ 600 mensalmente. ''Mesmo assim, não vou usar o novo teto, nem para pagar essa terceira pessoa'', resumiu. Posição semelhante foi adotada por Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) que tem duas assessoras. ''Não pretendo mexer nem no salários, nem no número de profissionais.''
Já a bancada do PSDB, composta por Tercílio Turini, Roberto Kanashiro e liderada por Paulo Arildo, por enquanto deve seguir usando o valor antigo. ''Não era o momento oportuno subir agora esse montante, poderia ser um índice menor'', avaliou Arildo, depois da segunda votação. De acordo com ele, uma reunião entre os três definiu o posicionamento, e uma nova reunião pode mudá-lo. ''Podemos voltar a conversar sobre isso, se acharem por bem'', comentou. (J.G.)

mockup