Alex Canziani deixa o PTB e dispara: ‘Está virando uma seita, não reconheço mais’

Ex-deputado petebista alega que 'radicalismo absurdo' da executiva nacional está descaracterizando a história construída pela legenda

Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha

 

Alex Canziani deixa o PTB e dispara: ‘Está virando uma seita, não reconheço mais’
Fernando Cremonez/Ascom/CML
 

Depois de quase 30 anos no PTB, o secretário de Governo de Londdrina e ex-deputado federal Alex Canziani anunciou nesta sexta-feira (19) a saída da presidência da sigla no Paraná e sua desfiliação.


O ex-petebista afirma que a situação ficou insustentável porque o partido “está virando uma seita, um radicalismo absurdo”. “Nós fizemos, ao longo de tanto anos, a política da construção, de buscar soluções, do equilíbrio, e  nada disso a gente vê hoje no PTB”, diz Canziani, citando outros petebistas históricos, como o senador Armando Monteiro (Pernambuco), Campos Machado (São Paulo) e Benito Gama (Bahia)


No Paraná, outros petebistas como o vereador curitibano Pier Petruzziello e o deputado estadual Tião Medeiros também pretendem deixar a legenda, mas, assim como a deputada federal Luísa Canziani - filha de Alex -, estão impedidos devido à regra da fidelidade partidária. “O Pier vai tentar na Justiça um desligamento”, conta Canziani. Se houver decisão favorável, pode ser seguida por outros parlamentares.


O radicalismo citado por Canziani estaria, segundo ele próprio, em atitudes que excluem outras legendas aliadas históricas. “Ele [Roberto Jefferson, presidente da executiva nacional] me disse que vai fazer [dp PTB] o maior partido conservador das Américas, mas acho que o partido vai acabar mal”, diz. 


Este posicionamento mais radical, diz o ex-petebista, começou quando o presidente nacional vislumbrou a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro, atualmente sem partido, filiar-se à legenda, uma vez que o “Aliança Pelo Brasil”, partido que ele e seus seguidores pretendiam fundar após a saída do PSL, não vingou.


Na questão eleitoral,este posicionamento se refletiu nas eleições municipais de 2020, em Curitiba. Na ocasião, a executiva nacional quis impedir coligações com partidos de esquerda e mesmo com o PSDB e o DEM, legenda do prefeito reeleito - o PTB já havia dado apoio em 2016. “O PTB tem o líder do governo na Câmara Municipal, tem secretarias na Prefeitura de Curitiba. Precisamos de autorização especial para coligar com essas legendas e este foi uma postura que o PTB nunca teve. Não reconheço o PTB de hoje, em comparação com o  que foi sua história”, lamenta.


Por enquanto sem legenda, Canziani diz que pelo menos cinco partidos já ofereceram espaço para ele.


A reportagem entrou em contato com a executiva nacional do PTB e aguarda um posicionamento oficial.


LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

Depois de quase 30 anos de Partido Trabalhista Brasileiro, estamos deixando a presidência estadual e o próprio PTB.


Foram muitas as relações construídas e muitas as conquistas obtidas. Um orgulho termos feito e participado da história dos petebistas!


Estamos deixando o partido porque nossas ações e pensamentos sempre foram pautados pelo diálogo e construção de ideias, abrindo espaço para argumentos e respeitando o contraditório, jamais por radicalismo e imposições. Infelizmente não reconhecemos hoje, na direção nacional, este mesmo sentimento que sempre norteou os petebistas.


Após conversarmos com muitos companheiros de todo o Paraná e do país, chegamos à conclusão que não é mais possível continuar. Ao mesmo tempo, temos sido sondando por vários partidos convidando à filiação.


Muito obrigado a todos que estiveram conosco no partido. Mais que companheiros e parceiros, formamos amigos. Grandes amigos!


Nossa história, entretanto, não acaba aqui. Vamos continuar com a mesma disposição e garra em novos desafios. Pode contar conosco!


Alex Canziani

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