Alencar volta criticar BC e propõe cruzada contra juros
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Manuela Martinez<BR>Agência Folha 
Salvador - Um dia depois da conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente José Alencar manteve as críticas à política de juros adotada pelo Banco Central e conclamou os empresários a realizarem uma cruzada para reduzir a taxa, atualmente fixada em 26,5% ao ano. ''Nós temos que nos unir numa verdadeira cruzada, que não é para matar ninguém, mas para conscientizar o Brasil de que o país precisa mudar isso [juros altos]'', disse Alencar, no final da manhã de ontem, em Salvador, a 600 empresários, na abertura do Congresso da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil.
Alencar disse também que todos os economistas sabem que a recessão e a deflação são fenômenos mais perigosos que a inflação. ''O Brasil é um país de subconsumo''. Segundo ele, as políticas de juros altos têm como objetivo achatar o consumo e inibir os investimentos. O vice afirmou que o país está ''assistindo à maior transferência de renda de que se tem notícia na história do Brasil''. Na sequência, arrancou aplausos da platéia com ao dizer: ''Isso não pode continuar porque isso mata a economia. É o que eu tenho dito como cidadão brasileiro, como ex-empresário, como vice-presidente da República, como um indignado com o que está acontecendo no país''.
Alencar disse que Lula sabe que as taxas de juros têm que ser reduzidas para priorizar investimentos que vão gerar empregos e distribuir melhor a renda nacional. O vice-presidente negou que estivesse proibido de falar sobre as taxas de juros e brincou dizendo que a única pessoa que o impedia de falar certas palavras era a sua professora de catecismo. ''Naquele tempo, eu não era proibido falar sobre juros.''


