Alencar ouve mulheres de militares
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Ana Flor<br> Folhapress 
Brasília - O ministro da Defesa e vice-presidente José Alencar conseguiu encerrar ontem o protesto de mulheres de militares por reajuste nas Forças Armadas ao visitar o acampamento em frente ao Ministério da Defesa. Apesar disso, voltou a criticar a política de juros do governo e sugeriu questionamentos a outros ministros sobre o porquê de o reajuste aos militares não ser viável hoje.
Às manifestantes, ele pediu paciência e confiança no governo. Aos jornalistas, pediu um ''alívio'' nas perguntas sobre política econômica, em especial sobre as altas taxas de juros. ''Eu tenho falado demais sobre isso. É preciso que vocês me aliviem um pouco. Vocês têm que perguntar também para outras autoridades'', disse.
Mesmo assim, ele repetiu que o pleito do grupo é justo e que as Forças Armadas precisariam de um reajuste de 35% os militares exigem 23%, como uma segunda parcela prometida pelo governo. ''Os militares não estão pleiteando aumento. Eles estão pedindo recuperação de perdas, é diferente. As perdas estão no patamar de 35%, porque a vida é dinâmica e a inflação continua''.
Recebido com aplausos e faixas dizendo ''José Alencar última esperança'', ele não fez promessas às manifestantes. Disse que se reuniria nos próximos dias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de ''homem com autoridade moral'' que merecia a confiança do grupo.
Ao receberem a notícia de que o ministro as receberia, a emoção das manifestantes era visível. Não esperaram Alencar cruzar a avenida para chegar ao acampamento e o cercaram na calçada. ''Ministro, o senhor é a nossa última esperança'', disse uma delas.
Vestidas com ''a farda negra da indignação'', elas cobraram do vice-presidente o reajuste prometido e melhores condições para as Forças Armadas. Depois de uma rápida conversa, disseram que iriam ''levantar'' acampamento e encerrar as manifestações em respeito ao ministro.
Ônibus que passavam com militares que deixavam a Câmara dos Deputados, onde houve solenidade em comemoração ao dia do Exército, buzinavam. De dentro dos veículos, os militares, proibidos de fazer greves ou manifestações, levantavam o polegar em apoio às mulheres.


