Rio - Os juros altos no Brasil comprometem recursos que poderiam ser direcionados para o reaparelhamento das Forças Armadas e o atendimento à população em áreas essenciais. A crítica foi feita ontem pelo vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, dois dias depois da nova elevação da taxa básica de juros pelo Conselho de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). ''Isso está errado. Por isso, não tem havido recursos para atender às necessidades essenciais, como educação, saúde, saneamento, e também para a recuperação das perdas das Forças Armadas e de outras categorias, incluindo os civis'', afirmou, depois de participar da comemoração do Dia Nacional da Aviação de Caça, na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio.
Alencar baseou-se na nova taxa Selic, de 19,5%, para apresentar contas que, de acordo com ele, mostram que o Brasil paga 13 vezes mais juros reais (taxa Selic descontada a inflação em 12 meses) do que a média de outros 40 países ''que também têm Banco Central e usam a política monetária para o controle da inflação''.
Os comentários do vice-presidente foram feitos em meio à defesa do reajuste salarial para as Forças Armadas. Alencar disse que o salário dos militares acumulou perdas que chegam a 35%, mas o pleito esbarra na ''fase dura'' do Orçamento da União, que, por sua vez, está relacionada aos juros. ''O quadro é muito difícil. Sabemos que o grande problema do Orçamento da República é a rubrica dos juros com que se rola a dívida pública brasileira'', disse.
Para ele, os juros altos comprometem não apenas setores básicos e investimentos em infra-estrutura, como também o reaparelhamento das Forças Armadas e a recomposição salarial da categoria.

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