Curitiba - O vice-presidente da República, José Alencar, voltou a defender, segunda-feira à noite, em Curitiba, a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ''Eu sou contra a CPMF, mas não sou contra a prorrogação neste momento'', salientou a uma platéia com cerca de 1,3 mil empresários que participaram da posse do presidente reeleito da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures. ''Faço um apelo a esta casa, pois é uma questão de responsabilidade fiscal; se perderemos o controle do orçamento, colocamos tudo a perder'', completou Alencar.
Ontem à noite, a Câmara abriu a sessão destinada à votação, em segundo turno, da proposta que prorroga a CPMF até 2011. Para que a votação pudesse ocorrer ontem mesmo, o governo decidiu revogar a Medida Provisória (MP) que prorrogava o prazo para o trabalhador rural autônomo requerer sua aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo. O vice-líder do governo na Câmara, Berto Albuquerque (PSB-RS), afirmou que não haverá prejuízo ao trabalhador rural autônomo porque um projeto de lei ou uma nova Medida Provisória tratará dessa questão. Albuquerque disse que foi necessário revogar a MP para limpar a pauta e permitir a votação da CPMF.
O governo tem pressa para votar a CPMF e enviá-la ao Senado. A estratégia do governo era votar ontem o segundo turno da proposta da CPMF, mesmo que a votação se estenda pela madrugada.
Durante sua posse na Fiep, Rocha Loures acentuou que os empresários estão mobilizados contra a prorrogação da CPMF, alegando tratar-se de um ''tributo profundamente injusto, que só interessa ao governo e não ao Brasil''. O vice-presidente repetiu parte do que Loures falou, considerando que ''não se pode pensar que alguém de bom senso seja a favor de um imposto injusto''. Ninguém acreditou e o burburinho tomou conta do local.
Para compensar a insatisfação do empresariado com a decisão explícita de batalhar a favor da prorrogação, ele anunciou que o governo está aperfeiçoando uma proposta de reforma tributária, já apresentada aos governadores. A proposta prevê o fim de vários impostos federais e estaduais, incluindo a CPMF, e a substituição pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

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