Brasília - O mau exemplo vem de cima e foi oferecido pelo vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, na badalada filiação ao PMR, o novo partido disponível para alugar nas prateleiras do sistema partidário do País. A contribuição de Alencar ao aumento da balbúrdia política é para lá de evidente. Ele elegeu-se senador pelo PMDB, mudou para o PL, com o objetivo de compor a chapa presidencial do PT, e, três anos depois de iniciar essa trajetória, matriculou-se no PMR que se tornará Partido Republicano (PR) porque, mal foi criado pelos bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), está descontente com o próprio nome.
A crítica mais veemente que se fazia ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cingia-se ao que teria sido ''o erro original'' do governo - daí derivaria o fracasso do segundo mandato - por não ter promovido na primeira hora uma reforma política ampla e profunda. A esquerda petista indicava, por isso mesmo, que esta seria ''a mãe de todas as reformas'' do programa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na realidade, o PT não somente descumpriu o prometido, mas contribuiu para enfraquecer, moralmente, e aumentar a ambiguidade geral do sistema eleitoral e partidário. Por ter repetido o pecado que acusava em Fernando Henrique, a representação congressual tende a continuar fragmentada e a exigir composições de maiorias governistas altamente custosas para o erário.
O impressionante é que a situação poderá piorar. Para isso, bastará que o governo mobilize as forças que elegeram o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e consiga aprovar a emenda constitucional que reabre o prazo para mudanças na legislação eleitoral. O Planalto poderá até contar com bancadas da oposição, como as do PDT, PPS e PV, legendas que, como o PMR de Alencar e o PC do B de Rebelo, só terão vida no Congresso se alcançarem 5% dos votos nacionais. Essa é a cláusula de barreira aprovada há 11 anos e que será implementada nas eleições parlamentares de 2006. A preservação dessa única regrinha reduzirá dos 17 partidos eleitos em 2002 para cinco ou seis legendas ativas na Câmara.

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