O presidente Fernando Henrique Cardoso será reeleito, mas terá de transformar, logo no início de seu segundo mandato, as lições da crise asiática e da seca no Nordeste em ações concretas para combater a vulnerabilidade econômica do País e o elevado risco de conflitos sociais.
Essa foi a avaliação feita junto aos principais dirigentes das subsidiárias brasileiras de multinacionais alemães, que participaram, na semana passada, da 25ª Convenção Econômica Brasil-Alemanha, em Munique. Com um estoque de investimentos diretos (dinheiro que segue para a atividade produtiva e não para especulação financeira) de US$ 12,3 bilhões, a Alemanha é o segundo maior investidor no Brasil depois dos Estados Unidos (US$ 28 bilhões).
Os investidores alemães não temem Luiz Inácio Lula da Silva, mas não acreditam na vitória do petista. Para eles, é normal, numa democracia, um candidato de esquerda querer chegar ao poder. Os empresários alemães dizem que sua posição contrária à oposição brasileira não é ‘‘terrorismo contra Lula, mas baseada na sua crença de que o melhor para o País é a continuidade do Plano Real’’ e que o governo melhor representa essa sequência.
Os empresários mostram-se, porém, preocupados com a demora e a superficialidade das reformas estruturais e com o fracasso do governo no controle do déficit público.
Horst Herrmann, do Dresdner Bank Lateinamerika, banco que está presente há 80 anos no Brasil, disse que o mercado está dando uma trégua ao Brasil por causa do período eleitoral. ‘‘Se o presidente não tomar medidas sérias, no início de seu novo mandato, para combater a vulnerabilidade externa, o mercado vai forçá-lo a corrigi-las, mas a um custo muito maior para o País.’’
Hermann Wever, presidente da Siemens do Brasil (faturamento estimado em US$ 2 bilhões em 98), disse que manterá seus investimentos no Brasil (média de US$ 50 milhões/ano), qualquer que seja o resultado das eleições. Para ele, o presidente FHC deveria tornar o que já foi prioridade de seu governo, as reformas estruturais, ainda mais prioritárias em um segundo mandato.
Presidente da filial brasileira do banco de investimentos alemão Dresdner Kleinwort Benson, o economista Winston Fritsch, que foi um dos criadores do Plano Real (como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda nas gestões de FHC, Rubens Ricupero e Ciro Gomes, em 1993 e 1994), disse que o cenário mais provável da sucessão presidencial é uma vitória ‘‘mais ou menos’’ tranquila de FHC. Para ele, a queda nas pesquisas eleitorais registrada no meio do ano já foi superada.
Helge Kartsten Reimelt, presidente da Bayer do Brasil (faturamento estimado em US$ 640 milhões em 98), disse que FHC será reeleito, mesmo que no segundo turno, por causa do sucesso do Plano Real. Ben van Schaik, presidente da Mercedes-Benz do Brasil (faturamento estimado em US$ 2,6 bilhões em 98), acredita que o País precisa da continuidade da política econômica.
Mas a vitória da oposição não vai alterar os planos de investimento da empresa no País. A Mercedes está investindo US$ 820 milhões numa fábrica em Juiz de Fora (MG).
Claudio Sonder, do conselho mundial de administração da empresa química Hoechst (faturamento de US$ 1 bilhão no Brasil, em 97), disse que a imagem do Brasil nunca foi tão boa junto aos empresários alemães.

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